Entrar
Mach Industries levanta US$ 300 milhões e vale US$ 1,8 bilhão com armas inovadoras
Ciência e Tecnologia

Mach Industries levanta US$ 300 milhões e vale US$ 1,8 bilhão com armas inovadoras

Startup fundada por ex-aluno do MIT de 22 anos desenvolve seis sistemas de armas simultaneamente e já soma US$ 485 milhões em captações.

Redação
Redação
22 de junho de 2026

Ethan Thornton, de 22 anos, abandonou o MIT aos 19 anos para construir armas. Três anos depois, sua empresa, a Mach Industries, está executando seis programas de armas simultaneamente e acaba de fechar uma rodada Série C de US$ 300 milhões, avaliando a companhia em US$ 1,8 bilhão. Ao todo, a startup já levantou aproximadamente US$ 485 milhões.

Thornton cresceu em Burnet, no Texas, uma cidade com cerca de 6.500 habitantes, em uma família com fortes laços militares. Por volta de 2017 ou 2018, ainda no início da adolescência, começou a se preocupar com a ascensão da China e o que via como um iminente conflito entre grandes potências. Essa preocupação se transformou na convicção de que sistemas não tripulados redefiniriam a guerra e que os EUA estavam se movendo devagar demais.

Seis programas e um desafio de escala

A empresa trabalha em uma aeronave de ataque com decolagem vertical, um míssil antinavio de longo alcance, dois sistemas estratosféricos, um interceptador superfície-ar de baixo custo para abater drones e — anunciado nesta semana — uma aeronave logística e de ataque da Marinha de 12 metros e cerca de 1.800 kg, que decola quase verticalmente e voa mais de 1.600 km com uma carga de 450 kg.

Esse último projeto representa um grande salto para uma empresa cuja maior aeronave até agora tinha cerca de 4 metros. Nenhum dos seis sistemas está em produção em larga escala. Thornton afirma que a Mach venceu cerca de 13 contratos governamentais, a maioria na fase intermediária da aquisição de defesa — passando do projeto inicial para testes em campo do governo, mas ainda longe da fabricação em série.

Ele diz que vários sistemas devem entrar em operação até o final deste ano, e que sua meta é impulsionar três dos seis para a fabricação em série no mesmo período — o que significaria passar de centenas de unidades por mês para centenas de milhares, em uma fábrica que a Mach planeja montar em breve.

Estratégia: criar em vez de fabricar

A tese central da Mach é que os EUA não podem superar a China na manufatura, então precisam superá-la na criação — encontrar a vantagem do pioneirismo, como a Ucrânia fez contra a Rússia. “Não acho que vamos superar a China na manufatura”, disse Thornton. “O que a América continua fazendo bem, repetidamente, em comparação com a China, gira em torno da criatividade e da transformação de ideias em produtos.”

Ele argumenta que o verdadeiro gargalo não são as plataformas sendo construídas, mas a cadeia de suprimentos por trás delas. “A parte difícil é realmente colocar as coisas dentro do prédio”, disse: motores a jato, motores de foguete de combustível sólido, radares. A Mach construiu e testou dois motores a jato do zero em cerca de oito meses — um processo que ele diz levar tradicionalmente quatro anos. Em maio, a empresa também adquiriu a Exquadrum, uma empresa de motores de foguete de combustível sólido com 24 anos de existência, por US$ 50 milhões, superando cerca de oito outros concorrentes.

Comparações com Anduril e Shield AI

A abordagem da Mach difere de concorrentes como a Shield AI, que passou anos focada em um único produto (o drone V-BAT) antes de lançar uma segunda plataforma. Já a Saronic, fundada em 2022, constrói apenas embarcações de superfície autônomas. Ambas foram recompensadas pela disciplina: a Shield AI levantou US$ 2 bilhões este ano, avaliada em US$ 12,7 bilhões; a Saronic levantou US$ 1,75 bilhão, avaliada em US$ 9,25 bilhões.

A estratégia da Mach se assemelha mais à da Anduril, que é maior e mais antiga. Thornton faz a comparação, mas aponta uma diferença: “O manual da Anduril tem sido muito de cima para baixo, começando com a pilha de software. Nós somos muito de baixo para cima, começando com a pilha de hardware e depois envolvendo software em torno dela.”

Ainda assim, a Mach opera na sombra da Anduril, que levantou US$ 5 bilhões em maio, avaliada em US$ 61 bilhões — mais de 30 vezes o valor da Mach — e, em março, garantiu um contrato do Exército de 10 anos com teto de US$ 20 bilhões. Thornton insiste que o campo não é de soma zero e aponta a escala do problema: a China constrói cerca de mil mísseis de cruzeiro por dia; os EUA constroem aproximadamente um a cada três dias.

Transparência e desafios internos

Thornton tem sido franco ao dizer que a parte mais difícil de administrar a Mach muda a cada seis meses: primeiro engenharia, depois vendas, e agora manufatura em escala, que deve dominar o próximo ano. Ele diz que tenta proteger quatro ou cinco horas por dia para pensar e “simular o futuro”, às vezes tirando colegas do trabalho para fazer isso com ele — o que, admite, “pode frustrá-los às vezes”.

Ele descreveu fóruns rotineiros em toda a empresa, ideia de seu COO, onde funcionários pegam microfones e fazem qualquer pergunta. Começou com Thornton recrutando alguns colegas de confiança para fazer perguntas agressivas. Evoluiu para algo mais difícil de controlar — e, segundo ele, mais útil. “Eu basicamente fico lá por uma hora”, disse, “e recebo as perguntas mais agressivas possíveis das pessoas na empresa.”

Investidores e próximos passos

Seus investidores incluem Sequoia, Khosla Ventures e Ribbit Capital. Thornton diz que vários sistemas devem entrar em operação até o final do ano, e que a meta é levar três dos seis programas para a fabricação em série no mesmo período. A empresa também planeja montar uma fábrica para produção em larga escala em breve.

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.