Publicidade

As gigantes do e-commerce Flipkart e Amazon estão acelerando sua expansão no mercado indiano de quick commerce (entrega ultrarrápida), elevando a pressão competitiva sobre startups locais como Blinkit, Swiggy e Zepto. O setor, que já enfrenta desafios de rentabilidade, vê a entrada de players com grande capital redefinir as regras do jogo.

A Flipkart, de propriedade do Walmart, alcançou a marca de mais de 800 dark stores (centros de distribuição para vendas online) esta semana e planeja dobrar esse número até o final de 2026, segundo informações obtidas pela TechCrunch com base em relatório do UBS. A empresa entrou no segmento em agosto de 2024 com o serviço "Flipkart Minutes", que promete entregas em até 10 minutos.

Publicidade

O movimento ocorre em um momento de reavaliação estratégica para as empresas pioneiras. A Swiggy, por exemplo, viu a saída de um de seus cofundadores nesta semana, em um reflexo da tensão no setor diante do aumento da concorrência e dos custos operacionais.

Expansão além das grandes cidades

A Flipkart aposta no crescimento em cidades menores, uma estratégia diferente da líder de mercado Blinkit, que foca suas operações nas 10 maiores cidades do país. De acordo com uma fonte familiarizada com o assunto, 25% a 30% dos pedidos de quick commerce da Flipkart já vêm de pequenas cidades, e o volume de pedidos por dark store cresceu cerca de 25% mês a mês.

Publicidade

“A Flipkart tem esse DNA do Walmart”, analisou Satish Meena, fundador da empresa de insights Datum Intelligence. “O DNA do Walmart é sempre expandir a oportunidade total endereçável para dominar ampliando o mercado.”

No entanto, a lucratividade do setor ainda está concentrada nos grandes centros urbanos. Um relatório da Bernstein desta semana indica que mais de 6.000 dark stores estão em operação na Índia, com sobreposição significativa nas principais cidades. As oito maiores cidades do país abrigam mais de 3.800 dark stores das cinco maiores empresas, sendo que cerca de 3.600 têm potencial para serem lucrativas.

Desafios de rentabilidade e consolidação

“Os mercados metropolitanos obviamente são melhores em retornos, melhores em lucratividade por causa da maior produtividade”, afirmou Karan Taurani, vice-presidente executivo do banco de investimento Elara Capital. “Este negócio é tudo sobre alta produtividade, e por enquanto, isso vem largely dos mercados metropolitanos.”

A escalabilidade em cidades menores levará tempo. O quick commerce é atualmente viável em cerca de 125 cidades, com as dark stores tipicamente levando de seis a 12 meses para atingir maturidade e lucratividade, explicou Aditya Soman, analista sênior da corretora CLSA.

Enquanto isso, a Amazon também amplia sua presença. A gigante do e-commerce, que entrou no mercado pouco depois da Flipkart, já implantou entre 450 e 500 dark stores, com aproximadamente 330 a 370 operacionais atualmente, de acordo com o UBS.

Guerra de descontos e pressão no mercado

A competição se acirra também no campo dos preços. A Flipkart está oferecendo alguns dos maiores descontos do segmento – cerca de 23% a 24% em diversas categorias, com base em uma cesta de compras analisada pela Jefferies no mês passado.

A pressão dessas estratégias agressivas já mostra efeitos. A corretora JM Financial alertou recentemente que o negócio de quick commerce da Swiggy está em um “impasse crescimento-versus-lucratividade” e corre o risco de destruir valor para os acionistas. As ações da Eternal, controladora da Blinkit, caíram cerca de 15% este ano, enquanto as da Swiggy recuaram mais de 29%.

“O quick commerce não está mais em uma fase de startup – tornou-se um jogo para grandes players”, avaliou Ankur Bisen, sócio sênior da consultoria de varejo Technopak Advisors. Ele acrescentou que a economia do setor e a diferenciação limitada podem eventualmente levar a uma consolidação, com empresas competindo pelo mesmo conjunto de clientes em um mercado pesado em descontos.

Procuradas, Amazon, Flipkart e Swiggy não responderam aos pedidos de comentário. A Eternal declinou comentar, enquanto a Zepto afirmou não poder se manifestar devido ao período de silêncio após seu pedido de IPO.