França se opõe a acordo comercial entre União Europeia e Mercosul
Presidente Emmanuel Macron anuncia voto contra o tratado em reunião de embaixadores do bloco europeu.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quinta-feira (8) que o país se posicionará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão deve ser formalizada na reunião de embaixadores do bloco europeu prevista para esta sexta-feira (9).
A declaração foi feita por meio de uma publicação na rede social X (antigo Twitter). "A França decidiu votar contra a assinatura do acordo entre a União Europeia e os países do Mercosul", escreveu o chefe de Estado francês.
França lidera oposição ao tratado
A fala de Macron consolida a França como o principal polo de oposição ao avanço do tratado comercial, que está em negociação há mais de duas décadas. Além do país, Irlanda, Hungria e Polônia também manifestam resistência ao acordo.
A Itália, por sua vez, ainda não definiu sua posição pública e é vista como uma peça-chave para o desfecho das negociações dentro do bloco europeu.
Contexto das negociações
O acordo entre a União Europeia e o Mercosul – bloco que reúne Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai – visa criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. As tratativas começaram em 1999 e um acordo político foi alcançado em 2019, mas sua ratificação enfrenta obstáculos, principalmente de países europeus preocupados com questões ambientais e de padrões sanitários.
Os críticos, incluindo agricultores franceses, argumentam que o pacto pode levar a uma concorrência desleal de produtos agropecuários que não seguem as mesmas regras rigorosas de produção da Europa.
Próximos passos
Com a oposição declarada da França, a aprovação do acordo no Conselho da União Europeia, que requer unanimidade entre os Estados-membros, fica ainda mais complicada. A reunião de embaixadores desta sexta-feira será crucial para medir o apoio restante ao tratado e definir os rumos das negociações.
Especialistas em comércio internacional avaliam que, sem um consenso, o acordo pode permanecer paralisado ou exigir novas rodadas de negociação para atender às demandas dos países resistentes.
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