Funcionários da Uber usam clone de IA do CEO para preparar reuniões

Funcionários da Uber usam clone de IA do CEO para preparar reuniões

Equipes criam versão artificial de Dara Khosrowshahi para ensaiar apresentações e ajustar slides antes de encontros reais.

Redação
Redação

24 de fevereiro de 2026

Funcionários da Uber desenvolveram uma inteligência artificial que imita o CEO Dara Khosrowshahi para auxiliar no preparo de reuniões com o executivo. A ferramenta, apelidada de "Dara AI", é usada por equipes para ensaiar apresentações e refinar seus materiais antes dos encontros oficiais. A revelação foi feita pelo próprio Khosrowshahi em entrevista ao podcast "The Diary of a CEO", apresentado por Steven Bartlett.

O CEO explicou que um membro de sua equipe o informou sobre a prática. "Algumas equipes construíram um 'Dara AI'", afirmou Khosrowshahi. "Eles basicamente fazem a apresentação para a IA Dara como um preparativo para fazer a apresentação para mim." Segundo ele, o clone de IA ajuda os funcionários a fazer ajustes em seus slides e em outros aspectos da apresentação, servindo como um instrumento de afinação para o preparo.

Expansão da IA no ambiente corporativo

A adoção de um bot que simula o principal executivo da empresa é um exemplo do uso crescente e inovador de inteligência artificial em situações de alta pressão no trabalho. Embora não esteja claro quão disseminado está o uso do "Dara AI" nos escritórios corporativos da Uber, a prática reflete uma tendência mais ampla. Até mesmo outros CEOs, como Sundar Pichai, do Google, já sugeriram que a IA poderia, eventualmente, substituí-los.

Durante a entrevista, Bartlett brincou perguntando se Khosrowshahi temia que a IA fosse apresentada ao conselho de administração, provocando risadas. O CEO da Uber, no entanto, destacou uma limitação atual dos modelos: a dificuldade em processar e tomar decisões com base em informações novas em tempo real, uma habilidade crucial para executivos.

Limitações atuais e futuro da substituição

"Quando os modelos puderem aprender em tempo real, esse é o ponto em que vou pensar que, sim, somos todos substituíveis", declarou Khosrowshahi. Enquanto isso não acontece, a ferramenta serve mais como um assistente de preparação do que como um substituto para a tomada de decisões executivas complexas e baseadas em contexto dinâmico.

A Uber já depende fortemente de IA para seu negócio principal de transporte por aplicativo e está expandindo novos casos de uso, como sua divisão "AI Solutions", que paga contratantes independentes para treinar modelos de IA para clientes.

Impacto no emprego e eficiência

Para os funcionários da Uber, a IA pode gerar mais oportunidades. Khosrowshahi citou que cerca de 30% dos codificadores da empresa são "usuários avançados" de ferramentas de IA. O executivo argumentou que, se a IA tornar cada engenheiro 25% mais eficiente, sua resposta seria contratar mais profissionais para acelerar o desenvolvimento, não reduzir o quadro.

Contudo, ele também reconheceu o cenário oposto. "Posso decidir não adicionar funcionários de engenharia", ponderou. "Nesse ponto, em vez de adicionar um engenheiro, eu deveria adicionar agentes [de IA] e comprar mais GPUs da Nvidia." A declaração ilustra o dilema que muitas empresas enfrentam ao equilibrar ganhos de produtividade via automação com decisões sobre expansão ou contenção de custos com pessoal.

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