GM pagará R$ 78 milhões por vender dados de motoristas sem permissão; entenda o caso
Montadora lucrou R$ 122 milhões compartilhando informações de direção com seguradoras, mas acordo proíbe prática por 5 anos.
Você confia que os dados do seu carro estão seguros? Pois saiba que a General Motors (GM) acabou de ser pega com a mão na massa. A montadora concordou em pagar US$ 12,75 milhões (cerca de R$ 78 milhões) para encerrar uma investigação que revelou um esquema chocante: a venda de informações pessoais de centenas de milhares de motoristas sem que eles soubessem.
O golpe por trás do OnStar
De acordo com o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, a GM coletava dados como nomes, contatos, localização e comportamento ao volante através do programa OnStar. E o que ela fazia com isso? Vendia para empresas de análise de dados como Verisk Analytics e LexisNexis Risk Solutions. O lucro estimado? Nada menos que US$ 20 milhões (R$ 122 milhões).
“A General Motors vendeu os dados de motoristas da Califórnia sem o conhecimento ou consentimento deles, e apesar de inúmeras declarações tranquilizando os motoristas de que não o fariam”, disparou Bonta em comunicado. A ironia é que a empresa prometia justamente o contrário aos seus clientes.
Por que os seguros não subiram?
Você deve estar se perguntando: se os dados foram para seguradoras, por que os prêmios não dispararam? A resposta é curiosa. A própria investigação descobriu que as informações não levaram a aumentos nos preços dos seguros na Califórnia. O motivo? A lei estadual proíbe que seguradoras usem dados de direção para calcular tarifas. Uma sorte para os motoristas, mas que não ameniza a gravidade da violação de privacidade.
O acordo e as consequências
Além do pagamento milionário, a GM se comprometeu a parar de vender dados para agências de crédito por cinco anos. Mais do que isso: terá que deletar todos os dados de motoristas que ainda mantém em 180 dias — a menos que obtenha autorização explícita dos clientes. A empresa também vai exigir que Lexis e Verisk façam o mesmo.
Vale lembrar que este não é o primeiro tropeço da GM. A montadora já havia fechado um acordo com a FTC (Comissão Federal de Comércio dos EUA) sobre o mesmo assunto, sendo proibida de vender certos dados para agências de relatórios ao consumidor.
O que muda para você?
Este caso acende um alerta vermelho para todos os motoristas de carros conectados. A tecnologia a bordo pode estar coletando muito mais do que você imagina. A GM, em sua defesa, disse que o acordo “reforça as medidas que tomamos para fortalecer nossas práticas de privacidade” e se referiu ao programa Smart Driver, descontinuado em 2024.
Mas a pergunta que fica é: quantas outras montadoras estão fazendo o mesmo, mas ainda não foram descobertas? A lição é clara: seus dados valem ouro, e as empresas sabem disso. Fique de olho nas permissões que você dá ao seu carro.
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