Touro de R$ 1 milhão e carros de luxo: a operação que expõe o império do PCC no agro

Touro de R$ 1 milhão e carros de luxo: a operação que expõe o império do PCC no agro

390 animais e 14 veículos apreendidos expõem como a facção usava rodeios para lavar dinheiro do tráfico

Redação
Redação

9 de maio de 2026

Você já imaginou um touro campeão de rodeio, avaliado em R$ 1 milhão, ser a peça central de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro? Pois foi exatamente isso que a polícia descobriu.

Nesta sexta-feira (08), uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo desmontou um esquema do Primeiro Comando da Capital (PCC) que transformava o agronegócio em uma fábrica de dinheiro sujo. O resultado? 390 animais apreendidos e 14 veículos, incluindo carros de luxo.

O touro que vale mais que um apartamento

O grande destaque da operação é o touro "Império", um animal de competição que chegou a ficar em terceiro lugar no ranking nacional de rodeio em julho de 2025. O valor estimado? Nada menos que R$ 1 milhão — o preço de um apartamento de luxo em São Paulo.

Mas como um animal de rodeio se torna uma ferramenta do crime organizado? A resposta está no nome da operação: "Caronte", uma referência ao barqueiro da mitologia grega que transportava almas para o submundo.

O "Diabo Loiro" e a conexão com o PCC

O principal alvo da operação é o influenciador digital Eduardo Magrini, conhecido como "Diabo Loiro". Preso no ano passado, ele é suspeito de envolvimento em um plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho.

Nas redes sociais, onde acumula 104 mil seguidores, Magrini se intitula "produtor rural" e "influencer digital". Suas postagens mostravam uma vida de luxo: carros importados, viagens internacionais e, claro, rodeios. Mas a realidade era bem diferente.

O influenciador é apontado como ex-padrasto do funkeiro MC Ryan SP, preso na Operação Narco Fluxo. E o filho de Magrini, Mateus Magrini, também é investigado por movimentar recursos ilícitos através de uma empresa do ramo musical.

Como funcionava o esquema (e por que você deve se importar)

As investigações revelam que o esquema de lavagem de dinheiro funcionava desde 2016. Empresas dos setores de transporte e rodeio eram usadas para movimentar dinheiro de origem criminosa por meio de sócios "laranjas".

O golpe foi descoberto após análises fiscais e bancárias feitas pelo Lab-LD e pelo Coaf, que identificaram movimentações incompatíveis com a renda declarada pelos investigados. Em outras palavras: eles gastavam como milionários, mas declaravam como pobres.

Os números da operação impressionam: R$ 15.850,00 em espécie, celulares, máquinas de cartão e anotações. Mas o verdadeiro tesouro estava nos bens apreendidos:

  • 1 Porsche Macan
  • 1 Land Rover Evoque
  • 6 caminhões e carretas
  • 1 touro de R$ 1 milhão
  • 390 animais entre gado de corte, touros de competição e cavalos

O destino do dinheiro (e dos animais)

A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias, além da apreensão de veículos e outros bens. O touro "Império" e os demais animais ficarão sob responsabilidade de um fiel depositário e depois serão vendidos — o dinheiro vai para os cofres públicos.

Os 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em oito cidades paulistas: Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga.

O que isso significa para o futuro?

Esta operação expõe uma verdade incômoda: o crime organizado está infiltrando setores legítimos da economia, como o agronegócio e o entretenimento. O rodeio, que para muitos é apenas um esporte, serviu de fachada para um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.

Eduardo Magrini, que acumula condenações por tráfico de drogas e uso de documentos falsos desde 1998, agora terá que responder por mais este capítulo. O iG tenta contato com sua defesa.

Uma coisa é certa: o "Diabo Loiro" pode ter perdido o brilho, mas a investigação continua — e novos desdobramentos podem surgir a qualquer momento.

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