O ex-prefeito de Jaguariúna (SP) e atual vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Gustavo Reis, enfatizou a importância do trabalho de bastidores e do planejamento de longo prazo para a concretização de grandes obras públicas. A reflexão foi motivada por sua participação no recente lançamento da pedra fundamental do Trem Intercidades (TIC) e do Hospital Metropolitano na Região Metropolitana de Campinas (RMC), ao lado do governador de São Paulo, TarcÃsio de Freitas.
Durante a cerimônia, o governador fez referência a reuniões ocorridas "lá atrás" com Reis para tratar dos projetos. O ex-prefeito, que também preside o Conselho de Desenvolvimento da RMC, explica que esse perÃodo é crucial, envolvendo articulação técnica, estudos de viabilidade e processos burocráticos que antecedem o inÃcio fÃsico das obras.
Articulação Técnica e Persistência
Reis detalhou que o Hospital Metropolitano demandou meses de trabalho prévio. O processo incluiu reuniões na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para viabilizar um terreno de 40 mil metros quadrados e inúmeras idas à capital paulista para convencer o governo estadual da necessidade de descongestionar o Hospital das ClÃnicas da Unicamp. Essas articulações iniciais ocorreram em 2022 e 2023, sendo essenciais para a inclusão da obra no orçamento estadual.
"O governador foi justo ao lembrar dessas reuniões iniciais", afirmou Reis. "Porque sem aquele primeiro passo — a formalização da necessidade e a inclusão no orçamento — a pedra de hoje jamais seria lançada."
Alinhamento Regional para o Trem Intercidades
O mesmo princÃpio se aplica ao Trem Intercidades. Apesar da presença em eventos simbólicos, como a cerimônia na B3, Reis destacou que o "trabalho real" envolveu o alinhamento dos interesses das 20 cidades que serão cortadas pelos trilhos. O processo é complexo, abrangendo licenciamentos ambientais e processos licitatórios rigorosos, conforme exige a legislação.
"Na vida pública, quem tem pressa para colher o fruto muitas vezes esquece de quem preparou a terra e plantou a semente", analisou o ex-prefeito, que governou Jaguariúna por três mandatos e viu a cidade ser eleita a mais inteligente do Brasil por cinco anos consecutivos.
Legado e Continuidade na Gestão Pública
Gustavo Reis defende que uma obra pública é como uma "corrida de bastão", onde diferentes atores contribuem em fases distintas. Ele rejeita a ideia de que sua presença em lançamentos seja uma questão de vaidade, classificando-a como um "dever de prestar contas" de um trabalho iniciado quando os projetos eram apenas esboços no papel.
"Estar no palanque hoje não é uma questão de vaidade, mas um dever de prestar contas de um trabalho que começou quando o hospital e o trem eram apenas linhas em um papel e uma vontade polÃtica no coração", concluiu. Para ele, o futuro da região é construÃdo com "visão de ontem, trabalho de hoje e o benefÃcio de amanhã para todos".