ICE compra spyware da Paragon para investigações de tráfico de drogas nos EUA
Agência de imigração americana confirma uso da tecnologia de vigilância após suspensão temporária por ordem do governo Biden.
O Serviço de Imigração e Controle Alfandegário dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) adquiriu e utilizou spyware fabricado pela empresa Paragon Solutions em casos de tráfico de drogas, conforme carta do diretor interino da agência a parlamentares obtida pelo site TechCrunch. A revelação ocorre após a reativação de um contrato com a fabricante de software espião, que havia sido suspenso para avaliação de riscos.
Na correspondência, o diretor interino do ICE, Todd Lyons, afirmou que aprovou o uso de "ferramentas tecnológicas de ponta" pela unidade de investigações criminais da agência, a Homeland Security Investigations (HSI). O objetivo declarado é combater a "exploração próspera de plataformas de comunicação criptografadas por organizações terroristas estrangeiras". Lyons garantiu que o uso do spyware cumpriria "requisitos constitucionais" e não apresentaria "riscos significativos de segurança ou contra-inteligência".
Contrato suspenso e reativado
Em 2024, o ICE assinou um contrato com a fabricante de spyware Paragon Solutions, empresa de capital norte-americano-israelense. O acordo foi imediatamente suspenso pela administração do presidente Joe Biden para verificar sua conformidade com uma ordem executiva que restringe o uso, por agências federais, de softwares espiões que possam ser usados para alvejar cidadãos americanos no exterior ou violar direitos humanos.
Em setembro de 2025, o ICE levantou o bloqueio e reativou o contrato. Até a carta de Lyons, no entanto, não estava claro se a agência havia de fato planejado utilizar a tecnologia da Paragon em suas operações.
Preocupações com direitos civis e histórico da Paragon
A deputada democrata Summer Lee, uma das parlamentares que solicitou informações ao ICE, criticou a decisão da agência. "Em vez de responder às sérias preocupações constitucionais e de direitos civis que levantamos, o Departamento de Segurança Interna (DHS) está pedindo ao público que aceite garantias vagas e justificativas baseadas no medo", disse Lee ao TechCrunch.
A congressista destacou que as comunidades mais vulneráveis, "incluindo imigrantes, comunidades negras e pardas, jornalistas, organizadores e qualquer pessoa que se manifeste contra abusos do governo", merecem mais do que sigilo. A Paragon esteve envolvida em um escândalo de vigilância na Itália no ano passado, onde jornalistas e ativistas pró-imigração foram alvos de seu spyware Graphite, o que levou a empresa a cortar o acesso de agências de inteligência italianas às suas ferramentas.
Justificativa e críticas
A justificativa comum das agências de aplicação da lei para o uso de spyware é a incapacidade de acessar dados criptografados em comunicações, uma vez que a tecnologia pode extrair informações diretamente do dispositivo do alvo. Críticos e defensores de direitos humanos, no entanto, apontam para a lista crescente de jornalistas, políticos e membros da sociedade civil que tiveram seus telefones invadidos por governos usando spyware comercial.
Procurados para comentar, tanto a Paragon Solutions quanto o ICE não responderam aos pedidos e perguntas do TechCrunch sobre o uso do spyware pela agência. A informação sobre a carta foi inicialmente reportada pela agência de notícias Bloomberg.
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