O governo do Irã apresentou oficialmente, nesta terça-feira (7), um plano de paz com dez exigências aos Estados Unidos para tentar encerrar o conflito entre os dois países. A proposta foi divulgada pela mídia estatal iraniana e entregue por meio de uma intermediação do Paquistão, pouco antes do prazo final indicado pelos norte-americanos.
O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou, em comunicado, que o plano exige a continuidade do controle do país sobre o Estreito de Ormuz, a aceitação do seu programa nuclear e o fim de todas as sanções econômicas. O órgão defendeu que qualquer acordo seja aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU) para ter validade internacional e força legal.
Os principais pontos da proposta
O documento apresentado pelo Irã reúne condições consideradas essenciais para um possível acordo. Entre os dez pontos principais estão o compromisso formal dos Estados Unidos de não atacar o país e a manutenção do controle iraniano sobre o estratégico Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de petróleo do mundo.
O plano também prevê o reconhecimento do direito do Irã de produzir combustível nuclear, o cancelamento de decisões internacionais contrárias ao país, o pagamento de indenizações e a retirada completa das tropas americanas da região. Além disso, inclui a interrupção de ações militares em outras áreas ligadas ao conflito, como no Líbano.
Reação inicial e contexto das negociações
Após receber o plano, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a proposta "pode ser usada como base para diálogo". A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que as negociações vão continuar. Horas antes da proposta ser apresentada, Trump havia feito um comunicado público alertando que poderia haver "grande destruição no Irã" caso não houvesse avanço nas conversas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchna, confirmou que, após o anúncio da trégua, o Estreito de Ormuz será reaberto por um período de 15 dias. Segundo ele, a navegação será segura, desde que haja coordenação prévia com as forças militares do país. O estreito estava fechado desde o início do conflito, há cerca de cinco semanas.
Próximos passos e advertências
O Conselho Supremo de Segurança Nacional informou que as negociações diretas entre as partes vão continuar na capital do Paquistão, com uma duração inicial de duas semanas, podendo ser prolongadas. O órgão destacou, no entanto, que a trégua acordada não significa o fim da guerra, que só será oficialmente encerrada com um acordo definitivo e abrangente.
O ministro Araghchna acrescentou que o Irã está disposto a suspender suas ações de defesa caso os ataques contra o país sejam interrompidos. A reabertura do Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de petróleo, é vista como um primeiro gesto concreto no frágil processo de diálogo.