Juiz federal ordena paralisação de reforma milionária em salão da Casa Branca

Juiz federal ordena paralisação de reforma milionária em salão da Casa Branca

Decisão judicial exige aprovação do Congresso para obra de US$ 400 milhões financiada por doações de grandes empresas de tecnologia.

Redação
Redação

31 de março de 2026

Um juiz federal ordenou nesta terça-feira a paralisação imediata das obras de um novo e luxuoso salão de festas na Casa Branca. O magistrado Richard Leon, da Corte Distrital de Columbia, determinou que o presidente Donald Trump não tem autoridade legal para prosseguir com a construção sem a aprovação prévia do Congresso.

A decisão judicial dá um prazo de 14 dias para que a Casa Branca cumpra a ordem, tempo que pode ser usado para recorrer a uma instância superior. O projeto, anunciado em julho, previa a construção de um salão de 90 mil pés quadrados (cerca de 8.360 m²), com capacidade para 650 pessoas, em substituição ao atual, que acomoda 200.

Obra milionária e financiamento privado

A construção do novo salão tem um custo estimado em US$ 400 milhões e está sendo financiada por doações privadas. Uma lista de doadores fornecida pela própria Casa Branca inclui gigantes da tecnologia como Apple, Amazon e Meta.

Em comunicado oficial divulgado no início do projeto, a administração Trump destacou que a obra estava "abaixo do orçamento, adiantada em relação ao cronograma, sendo construída sem custo para o contribuinte e será o edifício mais fino do tipo em qualquer lugar do mundo".

Batalha legal com preservacionistas

A ação que resultou na liminar foi movida pelo National Trust for Historic Preservation of the United States, um grupo de preservação histórica. A entidade argumentou que as reformas alterariam irreversivelmente o caráter histórico do prédio de aproximadamente 230 anos e que a Casa Branca carecia de base legal para executá-las.

Em sua decisão, o juiz Leon foi enfático: "O Presidente dos Estados Unidos é o administrador da Casa Branca para as futuras gerações de Primeiras Famílias. Ele não é, no entanto, o proprietário!". O magistrado, contudo, deixou uma porta aberta: "Aqui está a boa notícia. Não é tarde demais para o Congresso autorizar a continuação da construção do projeto do salão de festas".

Reação de Trump e contexto histórico

O ex-presidente reagiu à decisão em sua plataforma de mídia social, Truth Social, atacando tanto o juiz quanto o National Trust. "No caso do Salão de Festas, o Juiz disse que temos que obter aprovação do Congresso. Ele está ERRADO!", escreveu Trump, ecoando a visão do Departamento de Justiça de que um presidente não precisa de autorização legislativa para fazer reformas.

Trump também criticou o grupo preservacionista: "O National Trust for Historic Preservation me processa por um Salão de Festas que está abaixo do orçamento, adiantado, sendo construído sem custo para o Contribuinte, e será o edifício mais fino do tipo em qualquer lugar do Mundo".

Em sua fundamentação, o juiz Leon lembrou que, historicamente, o Congresso já se envolveu em renovações da Casa Branca, inclusive destinando verbas para construções originais, como as alas Oeste e Leste. O National Trust, organização criada por carta do Congresso, deixou de receber financiamento federal em 2005.

Próximos passos e desdobramentos

A administração Trump notificou a corte que preserva seu direito de apelar da decisão, mas não comentou imediatamente o teor da sentença. Paralelamente, o National Trust também moveu uma ação judicial separada para tentar impedir as reformas preferidas por Trump no Centro Kennedy.

A batalha legal coloca em evidência os limites do poder executivo sobre um patrimônio nacional e define um precedente sobre a necessidade de supervisão legislativa em grandes obras em edifícios federais históricos.

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