Imagine a cena: o maior influenciador do mundo, Khaby Lame, conhecido por sua cara impassível, contorcendo-se de dor em uma sala de massagem tradicional chinesa. Não era uma pegadinha. Era uma experiência cultural que mudaria sua percepção sobre o país.
O plano que nasceu de um bloqueio
Durante a pandemia, enquanto o mundo parava, uma fitness influencer explodia na China: Pamela Reif. As mulheres chinesas se apaixonaram pelos treinos dela, criando um loop viral que a tornou um fenômeno local. Foi aí que Julie Zhu, estrategista de mercado para criadores globais, teve uma ideia.
"Por que você não vem para a China dançar e se exercitar com seu público chinês? Podemos fazer um grande evento", conta Julie ao Business Insider.
O choque cultural que ninguém espera
Mas o verdadeiro choque não veio com a Grande Muralha ou o pato laqueado. Veio em uma sala de massagem. "Levei Khaby Lame para experimentar a massagem tradicional chinesa, que foca em pontos de pressão e meridianos. No começo, ele achou muito doloroso e mal conseguia conter as reações", revela Julie.
O resultado? "No final, ele estava visivelmente relaxado. Agradeceu ao terapeuta e ficou genuinamente surpreso com essa experiência de 'primeiro a dor, depois o alívio'", completa.
Não é só traduzir legendas: o erro fatal dos criadores
Julie, que se autodenomina "babá e mãe" dos criadores, alerta: a maioria subestima a China. "Eles assumem que é só traduzir legendas ou republicar conteúdo, mas na realidade, isso é só a superfície."
O segredo? Localização profunda. Cada plataforma chinesa — Douyin, Bilibili, Rednote, WeChat Channels — tem uma lógica de conteúdo própria. O ritmo, a estrutura narrativa e até o tom emocional precisam ser adaptados.
O futuro: criadores que viram marcas
Para Julie, a China não é uma parada de uma vez só. "Se você quer entrar no mercado chinês, espero que não seja uma coisa única." O motivo? O país oferece algo que nenhum outro lugar tem: recursos de manufatura e cadeia de suprimentos.
"Muitos criadores não são apenas criadores agora, eles estão se tornando marcas. Se eles querem encontrar recursos de produto, a China está em uma posição muito boa para ajudá-los", finaliza.
O recado é claro: para conquistar o gigante asiático, não basta ter milhões de seguidores no Ocidente. É preciso coragem para sentir a dor... e depois, o alívio.