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O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, afirmou neste domingo (1º) que um eventual ataque militar dos Estados Unidos ao país poderia desencadear uma "guerra regional" no Oriente Médio. A declaração foi feita em meio ao aumento da presença militar americana no Golfo Pérsico, que reúne cerca de 12 navios de guerra, incluindo o porta-aviões USS Abraham Lincoln.

Segundo a agência estatal iraniana Tasnim, Khamenei criticou diretamente o presidente americano Donald Trump, que tem condicionado uma ofensiva a um novo acordo nuclear. "Os americanos devem saber que, se iniciarem uma guerra, desta vez será uma guerra regional", declarou o líder iraniano. Ele acrescentou que a nação "não deve se assustar com essas coisas nem se deixar perturbar por essas ameaças".

Escalada de tensão e preparativos militares

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A fala representa mais um capítulo na escalada de tensão entre Teerã e Washington, intensificada após protestos internos no Irã e ameaças feitas por Trump ao regime. No sábado (31), o presidente dos EUA evitou confirmar se já tomou uma decisão sobre uma ação militar, mas defendeu que o Irã negocie um acordo "satisfatório" para impedir o desenvolvimento de armas nucleares.

No mesmo dia, o comandante do Exército iraniano, general Amir Hatami, afirmou que as Forças Armadas do país estão em alerta máximo e "plenamente preparadas" para responder a ataques dos Estados Unidos ou de Israel. Ele ressaltou que a tecnologia nuclear iraniana "não pode ser eliminada".

Exercício militar em área estratégica

Ainda neste domingo, o Irã anunciou a realização de um exercício militar com munição real no Estreito de Ormuz, região estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo. O Comando Central das Forças Armadas dos EUA (Centcom) alertou Teerã contra qualquer ameaça a navios ou aeronaves durante a operação.

Apesar do clima de confronto, autoridades iranianas afirmam que uma saída diplomática ainda é possível, desde que as negociações não limitem as capacidades defensivas do país. No sábado, o principal responsável pela segurança da República Islâmica indicou avanços nas tratativas com os Estados Unidos.

Contexto histórico e possíveis retaliações

A crise atual é considerada uma das mais delicadas desde a guerra de 12 dias entre Irã e Israel, no ano passado, que terminou após ataques inéditos dos EUA a instalações nucleares iranianas. Teerã afirma que, em caso de ofensiva, responderá com ataques a bases americanas na região e a aliados de Washington, especialmente Israel.

Enquanto isso, a presença militar dos EUA no Golfo permanece reforçada, com Washington mantendo a pressão por um acordo que restrinja definitivamente o programa nuclear iraniano, ponto central do impasse que ameaça a estabilidade regional.