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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5) que o encontro que manteve no fim de 2024 com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seguiu sua rotina de receber executivos do sistema financeiro. Lula negou qualquer posição política "pró ou contra" o banco, que foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Segundo o presidente, o pedido para a reunião foi feito pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que compareceu a Brasília acompanhado do empresário. Para evitar qualquer interpretação de interferência, Lula chamou integrantes do governo para acompanhar a conversa.

Garantia de investigação técnica

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Em entrevista ao UOL News, Lula detalhou a conversa. “O que eu disse para ele? 'Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master. O que haverá será uma investigação técnica feita pelo Banco Central'. Foi essa a conversa”, afirmou. Ele reforçou que a política não entraria na apuração sobre eventuais irregularidades.

O presidente relatou que Vorcaro lhe contou sobre uma suposta perseguição que sofria. “Ele então me contou da perseguição que estava sofrendo, que tinha gente interessada em derrubar ele”, disse Lula, que garantiu ao banqueiro que o caso seria tratado com base na competência técnica do BC.

Reunião não constava na agenda oficial

A existência do encontro só se tornou pública na semana passada, gerando questionamentos. Lula justificou a ausência do registro na agenda oficial afirmando que a reunião foi um pedido de Mantega. Ele também citou que recebe rotineiramente executivos de grandes instituições financeiras.

“Eu já recebi, neste mandato meu, o Itaú, o Bradesco, o Santander, o BTG Pactual, todos os bancos eu já recebi”, declarou o presidente, equiparando o encontro com Vorcaro a essas outras audiências.

Outros temas abordados na entrevista

Durante a mesma entrevista, Lula comentou investigações que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", no contexto de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O presidente afirmou ter conversado diretamente com o filho e que a orientação é que todas as apurações avancem sem exceções.

“Se tiver alguém meu envolvido nisso, vai pagar o mesmo preço, porque a lei é para todos”, disse Lula, reforçando que não interfere nos trabalhos da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal.

Lula também se manifestou sobre a divulgação de um contrato entre o escritório do ex-ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o Banco Master. Ele defendeu a contratação, chamando Lewandowski de "um dos maiores juristas que esse país já produziu", mas afirmou que o caso será investigado em profundidade.

“O que é importante ter claro é que nós vamos a fundo nesse negócio. Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro, o estado do Amapá colocaram o dinheiro do fundo dos trabalhadores nesse banco”, questionou, prometendo apurar também a relação do banco com o Banco de Brasília.