A Justiça de São Paulo condenou, na última terça-feira (24), a médica Alicia Dudy Muller Veiga a três anos de reclusão, em regime semiaberto, por aplicar um golpe de R$ 192.908,47 em uma lotérica na Zona Sul da capital paulista. A decisão ocorre após a ré ter confessado o desvio de quase R$ 1 milhão dos fundos da sua própria festa de formatura em medicina.
A sentença foi proferida pela juÃza Adriana Costa, da 32ª Vara Criminal do Foro Central Criminal da Barra Funda. Alicia foi julgada à revelia por não comparecer à audiência sem justificativa comprovada.
Os detalhes da fraude milionária
De acordo com a sentença, no dia 12 de julho de 2022, a médica fraudou a "Lotérica Oriundi". O método consistiu em tentar registrar mais de R$ 800 mil em jogos de loteria, enviando à funcionária apenas o comprovante de agendamento de um PIX, e não a transferência efetiva do valor.
Para ganhar tempo e ludibriar a atendente, ela realizou um PIX de apenas R$ 891,53. A magistrada considerou que a ré agiu com premeditação, frequentando o estabelecimento meses antes do crime para ganhar a confiança dos funcionários e viabilizar o "golpe milionário".
Recursos da defesa foram rejeitados
A defesa de Alicia tentou, à s vésperas da audiência, alegar transtornos mentais. No entanto, o laudo pericial do Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC) concluiu que a ré possuÃa plena capacidade de entender o caráter ilÃcito de seus atos e que a complexidade da fraude exigiu "adequada premeditação".
A defesa também alegou cerceamento de defesa e falta de acesso a sistemas judiciais. A juÃza Adriana Costa rejeitou todas as alegações, afirmando que o processo seguiu os imperativos constitucionais.
Multa, indenização e outros processos
Além da pena privativa de liberdade, a médica foi condenada ao pagamento de multa no valor de um salário mÃnimo. Ela também deve indenizar a lotérica no valor integral do prejuÃzo, R$ 192.908,47.
Alicia responde ainda por estelionato, após ter sido denunciada oito vezes pelo Ministério Público de São Paulo. O caso do desvio da formatura tornou-se público após a comissão de formatura divulgar que a suspeita transferiu a quantia de quase R$ 1 milhão para uma conta pessoal, conforme confessado por ela em mensagens no WhatsApp.
Registro profissional ativo
Apesar das condenações, a ex-estudante mantém seu registro profissional como médica ativo e aparece como membro ativo no Conselho Federal de Medicina (CFM). A reportagem tenta contato com a defesa de Alicia para posicionamento.