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A Meta está implementando uma reestruturação agressiva em suas equipes, centrada no uso de inteligência artificial, e formalizando a exigência de que seus funcionários dominem ferramentas de IA para progredir na carreira. A mudança, impulsionada pelo CEO Mark Zuckerberg, visa aumentar a produtividade e criar o que a empresa chama de "engenheiros 100x", capazes de comandar "exércitos de agentes de IA".

Segundo reportagem do *Business Insider*, a Meta estabeleceu metas explícitas para alguns engenheiros, exigindo que produzam de 50% a 80% de seu código com assistência de IA. A empresa também está abolindo antigos cargos e reorganizando equipes em pequenos grupos chamados de "pods de IA", um modelo que começou na divisão Reality Labs.

Reorganização radical na Reality Labs

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A transformação mais profunda ocorreu na equipe de ferramentas internas da Reality Labs, divisão da Meta responsável por realidade virtual e aumentada. O time, que tem cerca de 1.000 pessoas, passou por uma reestruturação radical, eliminando títulos de cargo tradicionais.

Os funcionários agora são chamados de "construtores de IA" (AI builders), enquanto os gerentes foram rebatizados de "líderes de pods de IA" (AI pod leads). Estes líderes são incentivados a usar a própria IA para auxiliar em tarefas como avaliações de desempenho.

Ansiedade por cortes e nova flexibilidade

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A notícia da reestruturação na Reality Labs se espalhou por outras áreas da Meta, gerando preocupação entre alguns dos mais de 76.000 funcionários de que o modelo de "pods" possa ser usado como justificativa para demissões em massa. Em memorando interno, a Meta afirmou que o quadro de pessoal não será afetado, mas o temor persiste.

O ex-diretor de engenharia da Meta, Erik Meijer, expressou preocupação à reportagem, sugerindo que funcionários participando de "Semanas de IA" internas podem estar "cavando suas próprias covas". Ele argumenta que uma empresa do tamanho da Meta não pode simplesmente produzir dez vezes mais recursos, pois sua base de usuários não conseguiria absorvê-los, tornando a redução de custos com pessoal uma alternativa lógica.

Além da eficiência, a reestruturação busca maior flexibilidade. A Meta informou aos funcionários que espera que engenheiros realizem trabalho de design, se necessário para concluir projetos, borrando as linhas tradicionais entre funções.

Ferramentas em teste e riscos controlados

A empresa permite que seus funcionários experimentem uma variedade de ferramentas de IA, incluindo o Claude Code, que representa uma "mudança genuína de capacidade", segundo a reportagem. Problemas operacionais, como um agente de IA quase deletar uma caixa de entrada por acidente, são considerados "gerenciáveis" pela empresa.

O analista Charles Rollet, que investigou as mudanças, mostrou-se mais preocupado com startups que possam introduzir erros graves em seus produtos usando IA de forma descuidada do que com uma corporação bem administrada como a Meta.

O movimento reflete uma tendência mais ampla no Vale do Silício de focar na receita por funcionário, métrica na qual a Meta já se destaca. A pressão por produtividade levanta a questão central: se a IA é tão poderosa, por que uma empresa precisaria manter dezenas de milhares de funcionários caros? A Meta, por enquanto, segue apostando na transformação de sua força de trabalho em vez de sua redução drástica.