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A maior mina de sal rosa do mundo, localizada no Paquistão, movimenta um mercado global que vale US$ 523 milhões e deve chegar a quase US$ 700 milhões até 2030. Apesar de ser amplamente comercializado como "sal rosa do Himalaia", o produto é extraído da mina de Khewra, situada a cerca de 250 quilômetros a oeste da cordilheira, na província de Punjab.

A mineração em escala industrial no local começou na década de 1870, durante o domínio colonial britânico. Após a independência do Paquistão em 1947, o governo assumiu a propriedade da mina e continua a arrendar seções para empresas privadas.

Extração arriscada e processamento em expansão

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Dentro da mina, que possui uma rede de túneis com cerca de 40 quilômetros de extensão distribuídos por 17 níveis, os trabalhadores identificam depósitos de alta qualidade usando uma mistura de pesquisas geológicas modernas e técnicas tradicionais. Após localizar um veio, são perfurados buracos de aproximadamente 1,2 metro de profundidade na rocha, que são preenchidos manualmente com explosivos para desprender o sal.

É um processo arriscado: após cada detonação, os trabalhadores devem aguardar cerca de 30 minutos antes de reentrar nos túneis para verificar falhas ou instabilidades. Os grandes blocos extraídos, que podem pesar mais de 770 quilos, são transportados para fora com maquinário.

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No processamento, o corte e o formato dos blocos liberam partículas finas que os trabalhadores descrevem como "fumaça de sal". A exposição prolongada a essas partículas pode dificultar a respiração. Para reduzir os riscos, são utilizadas medidas de proteção como sprays de água, máscaras e óculos.

Transição estratégica para agregar valor

Por anos, o Paquistão exportou grande parte de seu sal rosa na forma bruta, capturando pouco valor no mercado global. Grandes volumes de sal não processado eram enviados a preços baixos para a Índia, onde era refinado, embalado e vendido a mercados ocidentais como produto premium – às vezes até rotulado como "Feito na Índia".

Essa dinâmica começou a mudar em 2019, quando tensões políticas entre Índia e Paquistão se intensificaram e o Paquistão suspendeu o comércio bilateral, cortando uma rota de exportação crucial. Em resposta, empresas locais expandiram sua capacidade de processamento.

Em vez de exportar blocos brutos, mais empresas passaram a investir em equipamentos para moer, refinar e embalar o sal domesticamente, permitindo a produção de bens acabados para venda direta a compradores internacionais. A fábrica de sal Ittefaq, por exemplo, pode processar cerca de 350 toneladas métricas de sal por dia.

Mercado impulsionado por marketing e reservas abundantes

A popularidade do sal rosa é impulsionada em parte pelo marketing. Influenciadores e empresas do setor de bem-estar promovem alegações de que o produto pode regular o açúcar no sangue, melhorar o sono e desintoxicar o corpo. Cientistas, no entanto, afirmam que não há evidências sólidas para apoiar essas alegações.

Independentemente disso, o suprimento de sal rosa não deve acabar tão cedo. A mina de Khewra produz cerca de 400 mil toneladas de sal por ano, e as reservas são grandes o suficiente para durar séculos nas taxas atuais de extração. O sal é enviado para mais de 80 países para uso em uma ampla gama de produtos, desde sal comestível até artigos de banho e lâmpadas decorativas.