Testamos os óculos com IA do Google e eles estão quase lá — e a tradução simultânea é de outro mundo

Testamos os óculos com IA do Google e eles estão quase lá — e a tradução simultânea é de outro mundo

Um dos recursos mais impressionantes é a tradução em tempo real que pode conquistar viajantes do mundo inteiro

Redação
Redação

22 de maio de 2026

Imagine olhar para alguém falando espanhol em ritmo acelerado e, em segundos, ler a tradução em inglês flutuando diante dos seus olhos, enquanto uma voz sussurra o significado no seu ouvido. Parece ficção científica? Pois é exatamente isso que os novos óculos de realidade aumentada com IA do Google prometem entregar — e eu tive a chance de testá-los.

Durante a conferência Google I/O desta semana, coloquei as mãos (e os olhos) no protótipo mais ambicioso da empresa: um par de óculos que une áudio e uma tela embutida na lente, capaz de sobrepor informações úteis ao mundo real. A experiência foi reveladora, mas ainda tem arestas para limar.

O que esses óculos fazem que os outros não fazem?

Diferente dos modelos apenas de áudio que chegam ao mercado ainda este ano, esta versão com display é o verdadeiro salto tecnológico. Desenvolvidos em parceria com Warby Parker, Gentle Monster e Samsung, os óculos rodam o sistema Android XR e prometem exibir desde widgets do clima e direções de mapas até detalhes do seu Uber — tudo sem você precisar tirar o celular do bolso.

O grande destaque, porém, foi a demonstração de tradução simultânea. Um dos apresentadores falou espanhol rapidamente, e os óculos automaticamente detectaram o idioma e exibiram o texto em inglês no display, enquanto o Gemini traduzia em áudio no meu ouvido. Para viajantes frequentes, este recurso sozinho pode justificar a compra.

Mas nem tudo são flores: os problemas do protótipo

É importante deixar claro: o modelo que testei ainda é um protótipo. O design é básico e funcional, sem a preocupação estética das versões finais. A tela, posicionada apenas sobre o olho direito, apresentou uma imagem um pouco embaçada — o que atribuí às minhas lentes de contato, mas que gerou certo cansaço visual após alguns minutos de uso.

Outro ponto crítico foi a qualidade do áudio. Em um ambiente barulhento como o evento, a música tocada pelos óculos no volume máximo ainda era difícil de ouvir com clareza. Não espere substituir seus AirPods de alta qualidade, mas para uma caminhada ou tarefas domésticas, eles podem ser suficientes — com a vantagem de você ainda ouvir o que acontece ao redor.

Gemini no seu rosto: como funciona a interação?

Para ativar a inteligência artificial, basta pressionar por dois segundos o lado direito da armação. Um som de inicialização indica que o Gemini está ouvindo. No protótipo, isso também ligava a câmera automaticamente, mas a versão final permitirá configurar essa opção.

Os comandos são naturais: você pode pedir para tocar uma música, tirar uma foto ou até mesmo manipular imagens com IA. Pedi para transformar uma pessoa em personagem de anime e, após 45 segundos de processamento (a culpa foi do Wi-Fi congestionado do evento), o resultado apareceu no meu telefone.

Navegação e identificação de objetos: o futuro no seu dia a dia

Uma das experiências mais úteis foi a navegação por mapas. Ao pedir para ir até a "cafeteria mais próxima", o Gemini ativou o Google Maps no celular (que ficou guardado), e as direções curva a curva apareceram no display. Quando você olha para baixo, vê seu ponto azul no mapa; quando ergue a cabeça, a rota some e você segue seu caminho sem distrações.

Já a identificação de objetos funcionou bem com plantas e livros, mas inicialmente falhou ao reconhecer uma réplica de um quadro de Monet — foi preciso ligar a câmera manualmente e fazer algumas perguntas até que a IA concluísse que se tratava de uma obra do pintor. Ainda assim, a possibilidade de fazer tudo isso sem tirar o telefone do bolso é, no mínimo, intrigante.

O que esperar do futuro?

O Google promete revelar mais detalhes sobre os óculos com display ainda este ano, quando expandir seu programa de testadores. Por enquanto, a empresa aposta que o modelo apenas de áudio será suficiente para muitos usuários — uma forma inteligente de contornar o fato de que a versão com tela ainda não está pronta, especialmente diante da concorrência de Meta e Snap.

Uma coisa é certa: a tradução simultânea é um recurso matador que pode revolucionar a forma como nos comunicamos. Se o Google conseguir resolver as questões de conforto visual e qualidade de áudio, pode ter nas mãos (ou nos olhos) o próximo grande sucesso da tecnologia vestível.

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