O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou nesta terça-feira (10) um balanço de ações coordenadas que marcam o endurecimento no combate ao crime organizado. O ministro Wellington César afirmou que o foco é o esforço integrado entre Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).
Segundo o titular da pasta, as ações são "esforços prévios" na direção da PEC da Segurança Pública (18/2025), que tramita na Câmara dos Deputados. O objetivo é institucionalizar o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) na prática, criando um fluxo de inteligência que será a regra após a aprovação da proposta.
Dados das operações em 2025
Dados apresentados na coletiva mostram os resultados das operações no ano. A PRF apreendeu mais de 44 toneladas de cocaína nas rodovias brasileiras em 2025, um aumento em relação a 2024. O diretor-geral da PRF, Antônio Fernando Souza Oliveira, afirmou que houve uma mudança na estratégia do crime para o transporte da droga, indicando que as rodovias não são mais o principal ponto de escoamento.
A apreensão de cigarros ilegais atingiu a marca de 48,3 milhões de maços, com os estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais liderando o ranking. Segundo Antônio Oliveira, a operação causou "um prejuízo de aproximadamente R$ 241 milhões ao crime organizado".
Integração e descapitalização do crime
As forças federais também apreenderam, somente em 2025, 3.605 unidades de armas de fogo e mais de 255 mil unidades de munições. Segundo a PF, as operações de enfrentamento descapitalizaram R$ 169 milhões em recursos ilícitos, "desmantelando" as redes criminosas "pelo andar de cima".
Em um balanço mais amplo, a PF retirou R$ 9,5 bilhões do crime no ano passado, considerando dinheiro em conta, bens móveis e imóveis apreendidos. Há cerca de duas semanas, PF e PRF assinaram um protocolo com o objetivo de unir as forças e integrá-las no combate, deixando de atuar de forma isolada.
Foco institucional e sistema prisional
O tom da coletiva foi descrito como menos "policialesco" e mais "institucional", com foco na divulgação pontual de dados e projetos a serem implementados. Entre as iniciativas estão ações de inteligência voltadas para o sistema prisional nacional.
De acordo com André Garcia, Secretário Nacional de Políticas Penais, há esforços direcionados para a modernização do sistema penitenciário que "impactam diretamente na segurança do cidadão brasileiro". A proposta geral é elevar o padrão de segurança e controle efetivo.
O ministro Wellington César reforçou que os "frutos já podem ser apresentados imediatamente" e que o governo busca "viabilizar um núcleo essencial sobre o qual haja convergência da maioria do parlamento" para a aprovação da PEC da Segurança Pública.