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Você já parou para pensar no que acontece dentro dos presídios de São Paulo? Um relatório do Núcleo de Estudos da Violência da USP acaba de jogar luz sobre uma realidade brutal: um preso morre a cada 19 horas no sistema prisional paulista. São cerca de 500 mortes por ano, um número que choca e levanta questões urgentes sobre o direito à saúde atrás das grades.

O retrato de um sistema em crise

O estudo analisou as condições de saúde nas unidades prisionais e contabilizou mais de 4,1 mil mortes entre 2015 e 2023. Mas o pior é que esse número poderia ser muito menor se houvesse atendimento médico básico. De acordo com o levantamento, apenas 92 unidades contam com equipes mínimas de saúde vinculadas ao SUS, enquanto 78 unidades não têm nenhum tipo de atendimento regular.

Nesses casos, o cuidado médico é feito por profissionais da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP). Mesmo assim, o relatório destaca que, na maioria das unidades, não há presença regular de médicos. É como se os presos estivessem abandonados à própria sorte.

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A capital paulista é o ponto mais crítico

A situação é ainda mais grave na cidade de São Paulo, que simplesmente não aderiu a uma deliberação que viabiliza recursos e equipes de atenção básica no sistema prisional. Como consequência, as 11 unidades prisionais da capital não contam com equipes regulares de saúde vinculadas ao SUS.

“Esse dado é particularmente grave, pois a capital concentra parte relevante da população prisional e evidencia um conflito federativo que impacta diretamente o direito fundamental à saúde”, aponta o relatório. Ou seja, quem está preso na maior cidade do país tem ainda menos acesso a cuidados médicos.

Faltam escoltas e sobram mortes evitáveis

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O acesso a serviços de saúde fora das unidades também enfrenta entraves gigantescos. Entre 2024 e 2025, foram realizados 67 mil atendimentos externos, mas impressionantes 22 mil deixaram de acontecer por falta de escolta. Isso inclui consultas especializadas, cirurgias, exames e até mesmo urgências médicas.

É uma conta simples: sem escolta, não há atendimento. E sem atendimento, a morte se torna uma consequência inevitável para muitos.

O que isso significa para o futuro?

O estudo também levanta um dado perturbador: aproximadamente 70% das pessoas em situação de rua na região da Cracolândia passaram pelo sistema prisional. Isso questiona diretamente o acompanhamento oferecido durante e após o encarceramento. Será que o sistema está apenas empurrando o problema para as ruas?

São Paulo concentra cerca de 30% da população prisional do Brasil — é o maior sistema carcerário do país. E, com base nesse relatório, fica claro que a crise de saúde nas prisões não é apenas um problema de quem está detido. É um reflexo de como tratamos os direitos humanos mais básicos. E você, o que acha que deveria mudar?