Morte de Igor Peretto: trisal movimentou R$ 35,5 milhões em contas suspeitas</title>
Empresário foi morto a facadas pelo melhor amigo; COAF rastreou rede financeira de quatro envolvidos.</summary>
O empresário Igor Peretto, de 27 anos, foi morto com mais de 40 golpes de faca no dia 31 de agosto de 2024, no apartamento da irmã, em Praia Grande, litoral de São Paulo. O principal suspeito é Mario Vitorino da Silva Neto, então com 23 anos, melhor amigo da vítima e ex-marido de Marcelly Marlene Delfino Peretto, irmã de Igor. O caso, que ganhou contornos de um suposto trisal, revelou uma complexa rede financeira de R$ 35,5 milhões rastreada pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF).
Horas após o crime, Mario resgatou investimentos e transferiu R$ 23.900 para uma conta na Midway Instituição Financeira e R$ 9.500 para sua empresa, a MV Gestão e Participações Ltda. Já foragido, enviou mais R$ 32.000 via PIX ao advogado criminal André Rachi Vartuli. A fuga tinha custo e planejamento.
Rede financeira milionária
O COAF mapeou movimentações atípicas de R$ 35,5 milhões entre os quatro protagonistas: a vítima, o executor, a irmã e a esposa de Igor, Rafaela Costa da Silva. A empresa de revenda de veículos de Igor, registrada em 2021 com capital social de R$ 10 mil, movimentou R$ 20,1 milhões em três anos, com 14 comunicações ao COAF. O padrão identificado foi o "smurfing": depósitos em espécie fracionados, abaixo do limite de identificação obrigatória, em terminais de diferentes cidades.
Rafaela, que declarava renda de R$ 2.628 por mês, movimentou R$ 11,8 milhões entre 2020 e 2024. Apenas para receber esse valor com seu salário declarado, seriam necessários mais de 376 anos. Ela também recebeu R$ 428.541 via 2º Oficial de Registro de Imóveis de Guarulhos, 23 dias antes do crime, e transferiu R$ 20.350 para Mario.
Relações cruzadas e o crime
O delegado Renato Mazagão Júnior, responsável pela investigação, esclareceu que o termo "trisal" foi cunhado pela imprensa. A polícia identificou relações afetivas separadas e cruzadas, não simultâneas ou consensuais. Marcelly, irmã de Igor e ex-mulher de Mario, mantinha um relacionamento com Rafaela, a cunhada. O episódio íntimo entre as duas ocorreu uma única vez, no dia anterior ao crime.
No dia do assassinato, câmeras do Condomínio Vogue Residencial mostram Rafaela saindo do prédio às 05h41. Mario e Igor chegaram 13 segundos depois. A faca de 22 centímetros usada no crime foi encontrada no banheiro de Marcelly. Testemunhas ouviram gritos de raiva e a palavra "piranha" repetida antes do silêncio.
Versões e contradições
Mario alegou legítima defesa, dizendo que Igor o atacou com um caco de espelho. A perícia, no entanto, apontou que os ferimentos na mão de Mario eram compatíveis com quem empunha uma faca, não com quem se defende. O médico legista confirmou que um único golpe nas costas de Igor já era capaz de causar tetraplegia. A vítima estava desarmada.
Marcelly, em juízo, admitiu ter mentido em seu primeiro depoimento, orientada pelos irmãos a colocar toda a culpa em Mario. Ela disse estar sob efeito de entorpecentes e em estado de choque. A defesa alega que ela foi coagida por Mario. Já a acusação aponta cumplicidade, citando imagens em que Marcelly se debruça sobre o peito de Mario no elevador.
Desfecho judicial
Em outubro de 2025, o juiz Felipe Esmanhoto Mateo pronunciou Mario e Marcelly para o Tribunal do Júri. Rafaela teve a acusação de homicídio qualificado desclassificada para favorecimento pessoal e foi solta. O júri de Marcelly foi marcado para 26 de novembro de 2026. Mario, que recorreu, ainda não tem data de julgamento. Ele está preso na Penitenciária 1 de São Vicente.
O Ministério Público pediu reparação de danos morais de no mínimo R$ 300 mil. A família de Igor ofereceu R$ 50 mil de recompensa pela localização de Mario durante a fuga. A empresa de carros usados da vítima, que movimentou R$ 20 milhões, continua com CNPJ ativo.
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