MP recorre de absolvição por estupro de menina de 12 anos em Minas Gerais

MP recorre de absolvição por estupro de menina de 12 anos em Minas Gerais

Decisão judicial que inocentou homem e mãe da vítima motivou protestos e foi questionada por ministérios.

Redação
Redação

23 de fevereiro de 2026

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) recorreu, nesta segunda-feira (23), da decisão que absolveu um homem de 35 anos pelo crime de estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos, em Indianópolis, no Triângulo Mineiro. A mãe da criança, condenada inicialmente por conivência, também foi inocentada pela 9ª Câmara Criminal Especializada do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

A decisão, tomada por maioria de votos na última semana, anulou a condenação em primeiro grau a nove anos e quatro meses de reclusão em regime fechado. O processo tramita sob sigilo por envolver menor de idade.

Fundamento da absolvição gera controvérsia

O desembargador relator, Magid Nauef Láuar, alegou em seu voto a existência de um "vínculo afetivo consensual" entre o homem e a menina, "com prévia aquiescência dos genitores da vítima e vivenciado aos olhos de todos". A desembargadora Kárin Emmerich, no entanto, votou contra a reversão, afirmando que os argumentos do relator reproduziriam "um padrão de comportamento tipicamente patriarcal e sexista".

O MPMG afirmou que a decisão contraria a lei brasileira e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que estabelecem a vulnerabilidade absoluta de crianças e adolescentes com menos de 14 anos, independente de consentimento.

Reações institucionais e protestos

O caso gerou ampla repercussão negativa. O corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell, instaurou um Pedido de Providências contra o TJMG e o desembargador relator, exigindo esclarecimentos no prazo de cinco dias.

Os ministérios dos Direitos Humanos e da Cidadania e das Mulheres emitiram nota conjunta condenando a absolvição. As pastas reforçaram que "não é admissível que a anuência familiar ou a autodeclaração de vínculo conjugal sejam usadas para relativizar violações" e que o Brasil repudia o casamento infantil.

Nas redes sociais, parlamentares como as deputadas Maria do Rosário (PT) e Erika Hilton (PSOL) e o deputado Nikolas Ferreira (PL) manifestaram indignação. O TJMG também foi alvo de protestos físicos no domingo (22).

Próximos passos do processo

O recurso do MPMG será analisado pela Procuradoria de Justiça com atuação nos Tribunais Superiores (PJTS) e pelo Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes (CAODCA). Promotores responsáveis pelo caso devem dar mais informações nesta terça-feira (24), resguardando os detalhes pelo segredo de Justiça.

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