A Netflix surpreendeu o mercado de entretenimento esta semana ao recusar-se a aumentar sua oferta pela Warner Bros. Discovery, abrindo caminho para que a Paramount Skydance assuma o controle do estúdio hollywoodiano. A decisão ocorre após meses de negociações que pareciam favorecer a plataforma de streaming.
Os co-CEOs da Netflix, Ted Sarandos e Greg Peters, justificaram a retirada como um ato de "disciplina financeira". Relatórios do Bloomberg detalham que a hesitação da empresa surgiu da reação negativa dos acionistas e da disposição da Paramount em elevar sua proposta repetidamente.
Queda nas ações influencia decisão
Desde o anúncio inicial da aquisição em dezembro, as ações da Netflix caíram 30%, refletindo a desconfiança dos investidores com a compra de um estúdio tradicional. O comunicado de desistência, por sua vez, fez as ações subirem quase 14%.
Fontes próximas às negociações indicam que o compromisso da Netflix com o acordo enfraqueceu quando a Paramount apresentou uma oferta maior e demonstrou disposição para continuar uma guerra de lances. "A Paramount parecia pronta para ir várias rodadas a mais", relatou um executivo familiarizado com o processo.
Encontro com Trump selou recuo
Em reunião com autoridades do governo Trump na quinta-feira, Ted Sarandos já teria decidido abandonar a disputa. O presidente havia alertado anteriormente o executivo para não pagar um valor excessivo. Sarandos teria dito a Trump: "Segui seu conselho".
Enquanto isso, funcionários da Warner Bros. expressam preocupação com possíveis demissões em massa e com pressões políticas conservadoras sobre a CNN, rede de notícias pertencente ao grupo.
Contexto e próximos passos
A tentativa de aquisição marcou uma guinada estratégica da Netflix, que tradicionalmente focava em produção própria e licenciamento de conteúdo. A movimentação ocorre em um momento de consolidação no setor de streaming, com empresas buscando ampliar seus catálogos e propriedade intelectual.
Com a saída da Netflix, a Paramount Skydance deve finalizar a compra da Warner Bros. Discovery nas próximas semanas. Analistas preveem que a fusão criará o segundo maior conglomerado de mídia dos Estados Unidos, atrás apenas da Disney.