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As novas diretrizes alimentares "Real Food" promovidas pelo governo dos Estados Unidos representariam um aumento de 32% no orçamento para compras de supermercado, tornando-as inacessíveis para metade das famílias do país. A conclusão é de uma pesquisa da empresa de análise do consumidor Numerator, realizada com mais de 2.000 entrevistados em janeiro.

O estudo revela que, além da barreira financeira, menos da metade dos consumidores americanos estava ciente das novas recomendações nutricionais federais, divulgadas em janeiro. A mudança mais custosa está no maior foco em proteínas, especialmente carnes vermelhas, defendida pelo movimento "Make America Healthy Again" do Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr.

Custo proibitivo e conscientização limitada

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A pesquisa da Numerator quantificou o impacto financeiro: seguir as novas diretrizes adicionaria cerca de US$ 1.012 por pessoa ao ano nas despesas com alimentos. Quase todo esse custo extra é atribuído à ênfase renovada em produtos proteicos, principalmente carne.

"Metade dos compradores citou preocupações com acessibilidade como o principal motivo para não conseguir fazer compras alinhadas com as novas recomendações", destaca o relatório. O cálculo foi baseado nos preços de novembro de 2025, e o valor da carne bovina só aumentou desde então, agravando o cenário.

Divergências médicas sobre a dieta proposta

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Enquanto as diretrizes oficiais também recomendam fontes de proteína vegetal, a preferência do movimento de Kennedy por carne vermelha gera controvérsia na comunidade médica. A American Heart Association divulgou na semana passada um artigo recomendando uma mudança para proteínas à base de plantas, em vez de carne vermelha ou processada.

A posição encontra respaldo na longa declaração da American Medical Association de que produtos de carne e laticínios são "opcionais" em uma dieta saudável, contrastando com a abordagem das novas diretrizes federais.

Mudança gradual de hábitos, apesar dos custos

Apesar das barreiras, os dados da Numerator indicam uma tendência positiva: os americanos estão levando a saúde alimentar mais a sério. As visitas às seções "perimetrais" dos supermercados, que contêm produtos frescos, aumentaram mais do que as idas aos corredores centrais com alimentos ultraprocessados.

"Os consumidores não estão substituindo um conjunto de comportamentos por outro", analisa a empresa. "Eles estão sobrepondo intenções de saúde em cima de hábitos existentes." No entanto, a mudança é motivada mais pelo esforço contínuo de equilibrar prioridades de saúde e orçamento doméstico do que por orientações governamentais.

O estudo também alerta que o aumento da despesa com alimentos afetaria com mais força as famílias maiores. A implementação das diretrizes, portanto, esbarra não apenas na conscientização, mas em uma realidade econômica que grande parte da população não pode suportar no momento atual.