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Uma massa de poeira originária do deserto do Saara atingiu o arquipélago da Madeira, em Portugal, nesta segunda-feira (23) e deve avançar para o território continental a partir de terça-feira (24). O fenômeno, monitorado pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), é transportado por correntes de vento e pode deixar o céu com tons alaranjados ou esbranquiçados.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) de Portugal emitiu orientações, alertando que as partículas, conhecidas como PM10, podem causar irritação nas vias respiratórias e agravar doenças crônicas. Crianças, idosos e pessoas com problemas respiratórios ou cardiovasculares são os grupos mais vulneráveis.

Trajeto e monitoramento

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O IPMA informou que a nuvem de poeira foi registrada pelo satélite MTG, da organização europeia EUMETSAT, sobre o oceano próximo às Ilhas Canárias no domingo (22). A previsão do programa Copernicus-CAMS, baseada em dados do Centro Europeu de Previsão a Médio Prazo (ECMWF), confirmou a presença e o deslocamento das partículas.

De acordo com os meteorologistas, a corrente de partículas sai do norte da África e segue em direção oeste-noroeste, impulsionada por ventos do sul associados a um sistema de alta pressão sobre a Península Ibérica e à aproximação de uma frente fria.

Impactos e fenômenos associados

Episódios como este são mais comuns na primavera e no verão, quando as altas temperaturas no Saara criam ventos fortes capazes de levantar grandes quantidades de poeira. Estudos indicam que essas massas podem viajar milhares de quilômetros, alcançando até o Caribe e os Estados Unidos.

Há a possibilidade de a poeira se misturar à chuva prevista para o fim de terça-feira no continente, o que pode resultar no fenômeno conhecido como "chuva com poeira". Em 2022, um evento similar deixou o céu de Portugal com uma intensa coloração alaranjada.

Recomendações de saúde

A DGS orienta a população a evitar atividades físicas prolongadas ao ar livre durante os períodos de maior concentração de partículas. Recomenda-se também reduzir a exposição a outros irritantes, como fumaça de cigarro, e, sempre que possível, permanecer em ambientes fechados.

“Embora as concentrações previstas não sejam consideradas perigosas para a população em geral, grupos sensíveis podem sentir desconforto”, informou a autoridade de saúde. Pessoas com doenças crônicas devem manter os tratamentos habituais e procurar atendimento médico em caso de piora dos sintomas.

A situação está sendo acompanhada diariamente pela Agência Portuguesa do Ambiente em parceria com a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que utilizam modelos desenvolvidos por centros de pesquisa europeus.