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Imagine a cena: o CEO acaba de aprovar um investimento milionário em inteligência artificial. A equipe está eufórica. Mas quem precisa segurar as rédeas do orçamento e garantir que aquilo não vire um poço sem fundo é você, o CFO.

Parece familiar? Ser o “guardião do caixa” em meio ao frenesi da IA pode ser uma das posições mais ingratas do mercado hoje. Mas uma veterana que já sentou nessa cadeira quatro vezes tem um conselho que vai mudar sua perspectiva.

“Não é hora de ficar na arquibancada”

Amy Butte, ex-CFO da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) e da Navan, é categórica: o papel do CFO sempre foi duro, mas os desafios atuais são “únicos”. “Hoje estamos lidando com uma transformação rápida, novos usos de IA e novas coisas para medir”, disse ela em entrevista. “Um CFO precisa estar disposto a tentar coisas novas — e, lembremos, CFOs nem sempre são tomadores de risco.”

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Mas calma: isso não significa sair queimando dinheiro. Butte defende que abordagens “old-school” podem funcionar neste novo ambiente. O segredo? Um roteiro de três etapas para equilibrar inovação e responsabilidade fiscal.

Passo 1: Defina o que é sucesso (antes de comprar o hype)

Parece óbvio, mas muitas empresas pulam essa etapa. O que seus investidores realmente querem ver? Pode ser receita, lucro antes dos impostos ou retorno sobre o patrimônio. Se você não sabe disso, o problema é maior do que a IA. O conselho de Butte: garanta que cada aposta em IA esteja trabalhando para atingir essa meta específica.

Passo 2: Crie métricas dos bastidores

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Agora que você sabe aonde quer chegar, é hora de identificar os indicadores-chave (KPIs) que pavimentam o caminho. Como medir o impacto real da IA? Pode ser comparando interações de suporte ao cliente entre humanos e IA, ou a porcentagem de código entregue com sucesso dentro de um prazo. O importante é ter algo mensurável.

Passo 3: Não seja o freio da inovação

“Este não é o momento para líderes financeiros ficarem na arquibancada”, alerta Butte. “É importante correr riscos. É importante tentar coisas novas em um ambiente onde a mudança realmente pode mover o ponteiro.” Ela lembra que as métricas e a definição de sucesso podem mudar, desde que todos estejam alinhados.

O perigo do ‘tokenmaxxing’

Butte usa uma metáfora poderosa: imagine alguém que quer emagrecer e decide contar os passos, mas ignora completamente a dieta. O resultado é uma falsa sensação de progresso. No mundo corporativo, isso acontece quando empresas criam ferramentas como rankings e “tokenmaxxing” que não levam a lugar nenhum. “Só dizer não basta. Medir — e medir com as coisas certas — é crítico. ‘Tokenmaxxing’ não vai resolver um produto ruim”, conclui.

O recado final é claro: a era da IA não pede CFOs que apenas cortam custos, mas sim estrategistas que traduzam números em comportamento e saibam onde colocar a régua. O futuro pertence a quem consegue dançar entre a inovação e a responsabilidade — sem pisotear os pés de ninguém.