Você já se perguntou o que realmente acontece quando um governo impõe tarifas bilionárias para "trazer a indústria de volta"?
Pois um novo estudo revela uma verdade desconfortável para quem acreditava nessa promessa: um ano após o "Dia da Libertação", as tarifas de Donald Trump não conseguiram reindustrializar os Estados Unidos.
Na verdade, os números mostram o oposto do que foi prometido. E isso muda tudo o que você pensava sobre o poder das barreiras comerciais.
O Ãndice que não engana
A consultoria AT Kearney analisou dados oficiais de manufatura e importação de 2025 e descobriu um padrão preocupante: as empresas americanas importaram mais do que exportaram no ano passado. O resultado? O Ãndice de reshoring (repatriação da produção) continuou no território negativo.
"As tarifas não parecem ter gerado aumentos significativos de curto prazo no reshoring nem reduzido a dependência total de importações dos EUA", afirmou Patrick Van den Bossche, parceiro da AT Kearney e autor principal do relatório.
Em números concretos: as importações de manufaturados subiram 4,6%, atingindo impressionantes US$ 2,98 trilhões em 2025.
O destino real das fábricas chinesas
Você pode estar pensando: "Mas e as importações da China?" Sim, elas caÃram cerca de um terço no ano passado. Mas a surpresa está no para onde essa produção foi.
Em vez de voltar para solo americano, as linhas de produção simplesmente migraram para outros paÃses asiáticos. Tailândia, Camboja, Indonésia e Vietnã — que enfrentaram tarifas mais baixas que a China — registraram o maior aumento nos volumes de importação após o "Dia da Libertação".
As categorias que mais impulsionaram essa mudança foram computadores e eletrônicos, além de vestuário e acessórios. A produção saiu da China, mas não foi para os EUA.
O dinheiro que não veio
E as prometidas receitas fiscais? A Tax Foundation, um think tank apartidário, descobriu que as tarifas de Trump geraram menos dinheiro para o governo federal do que o esperado. O motivo? Empresas como GM e FedEx estão pedindo reembolsos sobre as importações.
Ou seja, o governo está devolvendo boa parte do que arrecadou.
Outro estudo, do Instituto Kiel para a Economia Mundial (Alemanha), analisou registros de embarques e concluiu que consumidores e importadores americanos pagaram a conta das tarifas — exatamente o oposto do que Trump prometeu, quando disse que as medidas gerariam mais concorrência e preços mais baixos.
O que isso significa para o futuro? Que promessas de reindustrialização via tarifas podem ser muito mais complexas — e custar caro — do que parecem.