O golpe de 120 drones que a Ucrânia usou para furar as defesas de Moscou
Com três modelos de drones locais, incluindo um "Gladiador" nunca visto, Kiev atingiu o coração da Rússia.
Você já imaginou o que é necessário para furar a maior concentração de defesas antiaéreas do planeta? Pois foi exatamente isso que a Ucrânia fez no último fim de semana. Em um ataque que já é considerado o maior já realizado contra a capital russa, Kiev usou não um, nem dois, mas três tipos diferentes de drones de fabricação local para atingir alvos estratégicos a poucos quilômetros do Kremlin.
O "Gladiador" que ninguém conhecia
Enquanto o mundo acompanhava as celebrações do Dia da Vitória em Moscou, a Ucrânia preparava uma surpresa. O Estado-Maior ucraniano confirmou que usou os drones FP-1 Firepoint e RS-1 Bars, mas o verdadeiro choque veio com a revelação de um terceiro modelo: o Bars-SM Gladiator. Nunca antes visto em combate, esse drone parece ser uma evolução do RS-1 Bars, uma espécie de híbrido entre míssil de cruzeiro e aeronave não tripulada a jato.
"Na noite de 17 de maio de 2026, unidades das Forças de Defesa da Ucrânia atingiram vários alvos militares russos importantes", diz a nota oficial. E não era para menos: o ataque envolveu mais de 120 drones sobrevoando Moscou em um único dia, um recorde absoluto.
O alvo: um chip que vale uma guerra
Entre os alvos atingidos estava uma fábrica de microchips a apenas 30 km do centro de Moscou. O Elma Technopark em Zelenograd, que abriga a planta de semicondutores Angstrom, foi atingido em cheio. Por que isso importa? Porque esses chips são usados em mísseis de precisão russos. Sem eles, a máquina de guerra do Kremlin começa a engasgar.
Vídeos publicados por canais russos no Telegram mostram um enorme incêndio no local, confirmando o estrago. Outro alvo foi uma estação de bombeamento de petróleo, peça-chave para a logística de combustível do exército invasor.
Como furar o escudo de Moscou?
Você pode estar se perguntando: como algo voa até Moscou sem ser abatido? A capital russa tem a maior concentração de defesas aéreas do mundo: dois anéis de baterias S-300 e S-400, além de sistemas de guerra eletrônica e dezenas de defesas pontuais como Pantsir e Tor.
Pouco antes do ataque, imagens de satélite mostravam mais de 100 sistemas de defesa espalhados num raio de 110 km do centro de Moscou. Mesmo assim, os drones passaram. "A concentração de sistemas de defesa aérea russos na região de Moscou é a maior. Mas estamos superando isso", disse o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy.
O segredo? Velocidade, baixo custo e produção em massa. O drone FP-1 Firepoint, por exemplo, custa cerca de US$ 50 mil cada e é produzido a uma taxa de 200 unidades por dia. Para comparação, um míssil de cruzeiro tradicional pode custar milhões. A Ucrânia está trocando quantidade por qualidade, e está funcionando.
O que vem depois?
O ataque foi uma resposta direta a uma ofensiva russa que lançou mais de 1.500 drones sobre cidades ucranianas em apenas dois dias. Zelenskyy foi claro: "Responderemos na mesma moeda." E pelo visto, a conta está chegando.
A Rússia afirma ter abatido 1.054 drones, mas os que passaram causaram estragos reais e visíveis. O mais impressionante é que a Ucrânia está fazendo isso com tecnologia própria, desenvolvida por fabricantes privados, sem depender de mísseis ocidentais de longo alcance. Uma revolução silenciosa que está reescrevendo as regras da guerra moderna.
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