O investimento que gerou R$ 15 bilhões: como uma tese "solitária" virou a nova febre do Vale do Silício

O investimento que gerou R$ 15 bilhões: como uma tese "solitária" virou a nova febre do Vale do Silício

Fundo que apostou em chips e robôs quando ninguém queria sai do anonimato com retorno bilionário.

Redação
Redação

17 de maio de 2026

Em 2015, Lior Susan fundou a Eclipse Ventures com uma ideia que parecia fora de moda: apostar em empresas que mexem com o mundo físico – chips, robôs, fábricas. Na época, o Vale do Silício só tinha olhos para aplicativos e softwares. "Foi solitário", admite Susan.

**Menos de uma década depois, essa aposta "solitária" se transformou em um dos maiores casos de sucesso do venture capital.** O estopim foi a abertura de capital da Cerebras Systems, fabricante de chips de inteligência artificial, que gerou um retorno de R$ 15 bilhões para o fundo.

O golpe de sorte (ou de visão) que mudou tudo

A história começou em 2016, quando a Eclipse colocou US$ 6,5 milhões (cerca de R$ 37 milhões) na Cerebras. Ao longo dos anos, o investimento total chegou a US$ 147 milhões. Na semana passada, com a empresa abrindo capital a US$ 185 por ação, o retorno foi de 17 vezes o valor investido. Um bilhete premiado que poucos viram chegar.

Para Susan, porém, isso é só o começo. "85% do PIB global está ligado ao mundo físico", explica. "Se você ignora isso, está perdendo a maior parte do jogo."

E a tese está se provando certeira. Empresas do portfólio da Eclipse – que vão de robótica a energia e defesa – captaram US$ 15 bilhões de outros investidores só no ano passado. Só no primeiro trimestre de 2026, foram mais US$ 4,5 bilhões. Para comparar: nos primeiros oito anos de vida, o fundo tinha levantado menos de US$ 4 bilhões no total.

O segredo? "Vibe code" não fabrica chips

Enquanto o mercado de SaaS (software como serviço) desaba – com ações despencando por medo de que a inteligência artificial torne obsoleto contratar softwares prontos –, o hardware vive um renascimento. "O verdadeiro fosso competitivo do software acabou. Você pode 'vibe code' praticamente qualquer coisa", diz Susan, referindo-se à facilidade de criar programas com IA.

**Mas há algo que a IA não consegue fazer: fabricar wafers de silício.** "Para isso, você precisa de máquinas, salas limpas e uma série de outras coisas que não se resolvem com código", completa o investidor.

Essa percepção está atraindo uma nova geração de fundadores de elite, que antes preferiam abrir startups de software. Agora, eles querem construir no cruzamento entre hardware e software. E o governo americano está ajudando: com subsídios, regulação favorável e incentivos para setores como semicondutores, robótica e mineração espacial.

O momento raro na história americana

Susan acredita que estamos vivendo um alinhamento de forças que não se via desde Henry Ford e Andrew Carnegie. "Cinco fatores estão alinhados: tecnologia, capital, demanda, talento e política", afirma. "Para construtores como nós, este é o melhor momento para construir essas empresas."

E os números provam que não é só conversa. As rodadas recentes do portfólio incluem US$ 1,2 bilhão para a Wayve (carros autônomos), US$ 650 milhões para a True Anomaly (defesa espacial), US$ 270 milhões para a Bedrock Robotics (robôs de construção) e US$ 200 milhões para a Oxide Computer (servidores). Em todas elas, a Eclipse foi a primeira investidora.

O recado para quem ainda duvida é claro: o futuro não está só na nuvem. Está no chão de fábrica, nos chips e nos robôs que estão sendo construídos agora.

Deixe seu Comentário
0 Comentários

Privacidade e Cookies

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência. Ao continuar navegando, você concorda com a nossa política.