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Você já parou para pensar que o preço da gasolina não dói igual para todo mundo? Pois é, a realidade é brutalmente desigual. Enquanto você enche o tanque e sente o bolso pesar, um novo estudo do Federal Reserve Bank de Nova York expõe um fenômeno silencioso e cruel: a alta dos combustíveis está aprofundando a chamada "economia em K", onde uns sobem e outros despencam.

E não pense que isso é um problema só de lá. Os mecanismos são os mesmos que afetam o Brasil e qualquer economia. A pergunta que fica é: de que lado dessa história você está?

O abismo que só aumenta: ricos aceleram, pobres freiam

A pesquisa analisou os gastos com gasolina entre famílias de baixa, média e alta renda. A conclusão é chocante: todos os grupos aumentaram seus gastos nominais com combustível desde fevereiro deste ano. Mas aí vem o pulo do gato. Quando ajustamos os números pela inflação e vemos a quantidade real de gasolina comprada, o cenário se inverte completamente.

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Enquanto os mais ricos praticamente mantiveram seu consumo, as famílias de baixa renda tiveram uma queda brutal na quantidade de gasolina que conseguem comprar. É como se a economia estivesse desenhando um "K": os de cima continuam subindo, e os de baixo despencam ladeira abaixo.

Como os mais pobres estão se virando (e sofrendo) na prática

Os pesquisadores Rajashri Chakrabarti, Thu Pham, Beck Pierce e Maxim Pinkovskiy explicam o que está por trás desses números. "As famílias de baixa renda aumentaram seus gastos muito menos e reduziram o consumo real muito mais, potencialmente através de caronas ou substituindo por transporte público onde disponível", escreveram. Traduzindo: eles estão cortando viagens essenciais, deixando de ver parentes, abrindo mão de lazer e, em muitos casos, simplesmente não têm para onde correr.

Isso não é um detalhe técnico. É a vida real de milhões de pessoas que precisam escolher entre comprar comida ou abastecer o carro para ir trabalhar.

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O motor invisível da desigualdade: ativos financeiros e inflação

Por que isso acontece? A resposta está na estrutura da "economia em K". Os mais ricos detêm uma parcela muito maior de ativos financeiros, como ações. Quando a inflação sobe, eles têm um colchão. Já os mais pobres, sem poupança ou investimentos, são os que mais sentem o peso do aumento dos preços no dia a dia. O resultado é que a gasolina cara não é apenas um incômodo: ela funciona como um imposto regressivo, tirando muito mais de quem já tem menos.

E a tendência, infelizmente, não é de melhora. Dados da AAA mostram que o preço médio nacional da gasolina comum nos EUA era de US$ 4,54 nesta quarta-feira, contra US$ 4,12 do mês passado e US$ 2,98 no final de fevereiro, antes do início da guerra no Irã.

O que você pode fazer agora para não ser engolido pela carestia

Se você está sentindo o aperto, não está sozinho. David Bennett, gerente automotivo sênior da AAA, dá dicas práticas para tentar amenizar o impacto. "Cuide do seu veículo, e ele cuidará de você", diz. Ele recomenda verificar a pressão dos pneus, ficar de olho nas luzes de advertência do painel, combinar viagens sempre que possível, retirar o excesso de peso do carro e considerar programas de recompensas de combustível.

Mas a verdade é que, para muitos, essas medidas são paliativas. Para as famílias de baixa renda, a realidade é que não há truque que resolva: a conta não fecha. E o alerta do Federal Reserve é claro: enquanto os preços não caírem, a desigualdade vai continuar se aprofundando, viagem após viagem, tanque após tanque.