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Você já parou para pensar na complexidade que um carro autônomo enfrenta para "enxergar" o mundo? Por anos, a indústria debateu se deveria usar sensores a laser (lidar), câmeras ou todos eles juntos. A resposta, que chega agora, é tão simples quanto revolucionária: colocar ambos em um único sensor.

A unificação que promete mudar as regras do jogo

A Ouster, empresa de São Francisco, anunciou nesta segunda-feira sua nova linha de sensores chamada "Rev8". A grande inovação? Eles oferecem o chamado "color lidar nativo". Na prática, isso significa que o mesmo dispositivo é capaz de capturar imagens coloridas e informações tridimensionais de profundidade ao mesmo tempo. O trabalho de dois sensores em um só.

Em entrevista exclusiva ao TechCrunch, o CEO da Ouster, Angus Pacala, não escondeu a ambição. Ele classificou a novidade como o "santo graal que todo roboticista sempre quis". "Durante toda a história da humanidade, era: você compra um sensor lidar, compra uma câmera e tenta dar sentido à combinação com algum raciocínio de alto nível, perdendo um tempo enorme nisso", explicou. "E as empresas só chegam na metade do caminho em termos de calibração e fusão dos fluxos de dados."

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Pacala foi direto ao ponto: "O objetivo é tornar as câmeras obsoletas. Não há razão para que um único sensor não possa fazer as duas coisas."

Como funciona essa mágica tecnológica?

A Ouster utiliza a chamada arquitetura "lidar digital". Em vez da abordagem analógica, que envolve muitas peças móveis, a empresa captura as informações do lidar diretamente em seu chip personalizado, usando detectores conhecidos como diodo de avalanche de fóton único (SPAD).

E é essa mesma tecnologia SPAD que agora também captura os dados de imagem colorida. Pacala afirma que essa técnica inovadora torna a captura de imagem mais sensível do que uma câmera normal. "São 48 bits de cor, 116 dB de faixa dinâmica, resolução de megapixels. São números de primeira linha que o tornam uma boa câmera. Mas acontece que ele já vem como um fluxo de dados pré-fundido em uma nuvem de pontos 3D colorida", detalhou.

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O impacto no mercado de robôs e carros autônomos

O lançamento da Rev8 chega em um momento crucial para as empresas de lidar. O setor passou por uma onda de consolidação, com a Ouster comprando a Velodyne, enquanto o mercado de sensores explode. Empresas como Waymo já implantaram robotáxis funcionais e estão escalando rapidamente. Empresas de robótica — humanoides e industriais — estão absorvendo bilhões em investimentos e precisam de sensores para perceber o mundo.

Um lidar colorido que combina informações precisas de profundidade com dados de imagem de qualidade de câmera pode ser especialmente valioso para esses players. Pacala revelou que a Ouster trabalhou com a Fujifilm e a empresa de ciência de imagem DXOMARK para entender "o que significa construir uma ótima câmera".

O sensor topo de linha, o OS1 Max, é apontado por Pacala como "o melhor lidar de longo alcance da indústria". Ele pode enxergar a 500 metros em todas as direções e é menor do que outros lidares de longo alcance "por uma margem enorme". "Isso significa que começaremos a vê-lo muito mais em aplicações de caminhões autônomos de alta velocidade e robotáxis", projetou.

O futuro: mais barato, menor e sem câmeras

Pacala faz questão de diferenciar sua abordagem da concorrência. Enquanto outras empresas tentam "fundir" câmeras e sensores lidar basicamente colocando-os juntos em uma caixa, a Ouster (e a chinesa Hesai) colocam a tecnologia de lidar e imagem no mesmo chip. Isso reduz drasticamente o trabalho que os clientes têm para dar sentido aos fluxos de sensores concorrentes.

O resultado? Uma tecnologia mais barata, menor e que prepara o terreno para que os robôs do futuro abandonem completamente as câmeras tradicionais. "Isso está mudando fundamentalmente a proposta de valor do que vendemos para um cliente a partir de agora", concluiu Pacala.