Você já se imaginou ganhando até R$ 33 mil por semana, com bônus de assinatura e moradia paga, logo no primeiro estágio? Parece sonho, mas é a realidade dos mais de 350 estagiários que acabam de começar o programa de verão da Citadel e da Citadel Securities, as gigantes de Wall Street comandadas pelo bilionário Ken Griffin.
Mas o caminho para entrar lá é brutal: de mais de 115.900 candidaturas — um recorde 6,4% maior que no ano passado —, apenas 0,36% conseguiram uma vaga. É mais difícil do que entrar em Harvard, no MIT ou até mesmo ganhar na loteria.
Por que a Citadel está contratando mais estagiários do que nunca?
Em um momento em que o mercado treme com o avanço da inteligência artificial e o medo de que robôs substituam os jovens talentos, a aposta da Citadel vai na contramão. "A razão pela qual nossa turma é maior do que nunca é exatamente porque o negócio viu o quão valioso o talento universitário pode ser", revelou Iris Wang, chefe de recrutamento universitário da Citadel, em entrevista exclusiva ao Business Insider. A mensagem é clara: não há limite de vagas para quem é excepcional.
Enquanto outros fundos de hedge e bancos tradicionais reduzem seus programas de estágio, a Citadel está expandindo. E não é só para fazer número: os estagiários de hoje têm o dobro de chances de se tornarem profissionais de alto desempenho no futuro, segundo as avaliações internas da empresa.
Os números que vão te deixar de queixo caído
Os estagiários não estão ali para fazer café. Eles recebem um salário base que varia de US$ 4.300 a US$ 5.800 por semana (algo entre R$ 25 mil e R$ 33 mil na cotação atual). Além disso, ganham um bônus de assinatura e podem escolher entre morar em imóveis corporativos ou receber um auxílio-moradia de US$ 15 mil (cerca de R$ 87 mil). Tudo isso para passar o verão trabalhando em projetos que realmente impactam o mercado financeiro global.
Alguns estagiários já chegam com doutorado. Outros, com PhD em áreas como física, matemática e engenharia. Mas, segundo Fabian Figi, líder de recrutamento da Citadel Securities, o diploma de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) ainda pesa — não só pelo conhecimento técnico, mas pelo que ele representa. "São pessoas que querem se desafiar, e isso exige um nível de potência intelectual bruta que as impulsionará, não importa como as ferramentas evoluam", explicou.
O que a inteligência artificial mudou no processo seletivo?
Ken Griffin, que já foi um cético ferrenho da IA, agora admite que a tecnologia se tornou "profundamente mais poderosa". Tanto que a Citadel avaliou os candidatos justamente pela sua fluência em inteligência artificial durante o recrutamento. Os melhores sabiam usar as novas ferramentas para programar de forma eficiente, mas os candidatos nota A+ se destacaram pelo bom julgamento e capacidade de adaptação.
Figi foi direto: "Nós gostamos de pessoas que buscam diplomas STEM não apenas pela expertise técnica, mas porque é difícil." E essa dificuldade é justamente o que separa os 0,36% dos 99,64%.
Como é a rotina de um estagiário bilionário?
Os estagiários trabalham em equipes com projetos reais de negócios — e têm acesso ao mesmo conjunto de ferramentas de IA que os funcionários efetivos. Eles se reúnem semanalmente com seus gerentes para feedback individual e, no final do verão, apresentam seus projetos diretamente para Ken Griffin e Peng Zhao, CEO da Citadel Securities.
E a expectativa de retorno? É altíssima. Figi disse que não há cotas específicas, mas a empresa avalia se cada estagiário pode ser "selvagemente bem-sucedido" individualmente. No passado, a maioria recebeu ofertas de emprego efetivo.
O recado final de Figi é um tiro certeiro no coração de quem sonha com Wall Street: "Vamos continuar com um apetite quase insaciável por talentos excepcionais. Assim que identificamos esse talento, nos movemos incrivelmente rápido para garanti-lo."
Enquanto a inteligência artificial transforma o mercado, a mensagem da Citadel é clara: máquinas podem calcular, mas ainda são os humanos mais brilhantes que fazem a diferença — e eles estão dispostos a pagar uma fortuna por isso.
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