O verdadeiro motivo pelo qual a Flexport está ensinando funcionários a usar IA em apenas 90 dias

O verdadeiro motivo pelo qual a Flexport está ensinando funcionários a usar IA em apenas 90 dias

Sem saber programar, equipes de RH e jurídico já criam ferramentas que substituem softwares caros

Imagine que você trabalha no setor jurídico ou de recursos humanos e, de repente, descobre que pode construir seus próprios robôs para automatizar tarefas chatas — sem escrever uma linha de código. Parece ficção científica? Na Flexport, isso já é realidade e está mudando o jogo dentro da empresa.

O problema que ninguém está resolvendo

Enquanto a inteligência artificial avança em ritmo alucinante, a maioria das empresas de logística ainda patina na implementação. "As ferramentas evoluíram mais rápido do que a capacidade interna das empresas", revela Anastasia Kouvela, diretora do Boston Consulting Group. O resultado? Um abismo de habilidades que trava a inovação.

É aí que entra a Flexport. A gigante de logística de São Francisco decidiu virar a mesa: em vez de esperar o mercado se adaptar, ela está transformando seus próprios funcionários em engenheiros de produto — mesmo aqueles que nunca encostaram em um código.

Como funciona o treinamento que está virando referência

Desde janeiro de 2025, o vice-presidente de engenharia Alex Nederlof oferece um curso interno de 90 dias para departamentos como RH, jurídico e operações. O nome do jogo? Vibe coding. Os participantes não precisam programar: eles usam o ChatGPT e o Claude da Anthropic para "conversar" com a IA e construir ferramentas que automatizam tarefas repetitivas.

"Fui de zero experiência em programação para criar automações que moldam iniciativas da empresa — em questão de meses", conta Jenna Ward, gerente sênior de operações que participou do programa. O impacto foi tão grande que a empresa reformulou o curso em janeiro de 2026, adicionando dois níveis para todos os departamentos.

Resultados que impressionam até os engenheiros

Os números falam por si. O que a equipe de engenharia achava que levaria seis meses para automatizar — como o envio de e-mails — um funcionário conseguiu fazer em apenas três dias usando as novas técnicas de vibe coding.

Entre os projetos que já saíram do papel estão um app que verifica formulários alfandegários automaticamente (um processo que exigia checagem manual de cada documento) e um chatbot de RH que responde perguntas frequentes dos funcionários. Essas ferramentas substituem softwares externos, reduzindo a conta da empresa com serviços de assinatura.

O conselho que pode mudar sua empresa também

Nederlof já recebeu contatos de outras empresas querendo replicar o modelo. O segredo, segundo ele, é simples: "Essas pessoas vivem em todas as partes da sua organização. Abandone a ideia preconcebida de quem pode ser elegível. De operações a recrutamento e finanças, vi histórias de sucesso em todos os lugares."

Para quem tem medo de que a IA elimine empregos, a visão do executivo é surpreendente: ele diz que o programa de requalificação ajuda até quem vai sair da empresa. "Você pode contar ao seu próximo empregador: 'Carrego o mesmo valor que quatro operadores. Sou um time de quatro pessoas por causa das ferramentas que construo'", ensina.

O futuro da logística já começou

Para Kouvela, do BCG, essa fluência em tecnologia e IA já é um pré-requisito nas vagas de supply chain. E as empresas que investirem cedo em suas equipes serão as únicas capazes de eliminar ineficiências, responder a crises mais rápido e entregar um serviço superior.

A pergunta que fica é: sua empresa está preparada para essa revolução — ou vai ficar para trás enquanto concorrentes transformam funcionários comuns em times de alta performance?

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há 5 minutos

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