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Você já imaginou acordar um dia e decidir que não quer mais seguir o roteiro tradicional da vida? Foi exatamente isso que Tye e Chip fizeram. Aos 57 e 61 anos, respectivamente, eles trocaram a agitada Austin, no Texas, pela pacata Chiang Mai, na Tailândia. E o mais impressionante: não se arrependem nem por um segundo.

A história começa em 2008, quando Tye, que nunca tinha saído da América do Norte, tirou seu primeiro passaporte. O destino escolhido? Tailândia. "Naquela época, me parecia o lugar mais exótico e louco possível. Eu não queria ir para Paris ou Espanha. Queria a Tailândia", contou ela ao Business Insider.

O gatilho que mudou tudo: a pandemia

Durante mais de uma década, o casal voltou ao país asiático para férias. A vida em Austin era confortável: Tye era personal trainer e competia em fisiculturismo; Chip trabalhava para o governo federal dos EUA. Até que a pandemia os fez repensar tudo. "Qualquer coisa podia acontecer, e nós nunca viveríamos nosso sonho", refletiu Tye.

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Foi então que consultaram um consultor financeiro. A conta surpreendeu: poderiam se aposentar antes do previsto. Em junho de 2021, venderam a casa em Austin e passaram seis meses viajando pelos EUA no que chamaram de "turnê de despedida". Em dezembro, Chip se aposentou aos 56 anos, após 34 anos de serviço público, e o casal se mudou para Chiang Mai.

O custo da liberdade: quanto custa viver esse sonho?

Eles compraram um condomínio por cerca de US$ 138 mil (aproximadamente R$ 690 mil) e gastaram mais US$ 37 mil em reformas. Recentemente, adquiriram a unidade vizinha por US$ 80 mil e a transformaram em um Airbnb. O orçamento mensal do casal gira entre US$ 4 mil e US$ 5 mil (R$ 20 mil a R$ 25 mil) — e até US$ 7 mil quando viajam.

"Bebemos vinhos bem legais, temos serviço de preparo de refeições. Não nos falta nada", diz Tye. Para efeito de comparação: o custo de vida em Chiang Mai é cerca de 60% menor do que em Austin, segundo dados de sites de comparação internacional.

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A rotina que dá inveja (e o desafio social)

Os dias do casal são quase poéticos: começam com um treino leve, caminham até a academia, almoçam por lá, resolvem tarefas e tiram um cochilo à tarde. Uma ou duas vezes por semana, jantam fora ou participam de degustações de vinho. Aos sábados, jogam golfe.

Mas nem tudo foi fácil. No início, a vida social foi um desafio. "A maioria dos nossos amigos em Austin tinha a nossa idade. Aqui, o cenário era dividido entre aposentados de 60 e 70 anos e nômades digitais de 20 e 30 anos. O primeiro ano foi difícil", admite Tye.

Aos poucos, fizeram amigos entre os vizinhos — muitos mais velhos. "Eles não são tão interessados em malhar, mas todos sabiam quem era Bad Bunny antes do Super Bowl, porque é o que tocamos em casa", brinca.

O segredo da felicidade (segundo eles)

Após 15 anos de uma vida cronometrada — por conta da dieta e treinos de Tye —, o casal agora segue uma única regra: faça uma coisa por dia, e trate o resto como bônus. "Horários me dão estresse pós-traumático", dispara Tye. "Estamos aposentados. E daí se levamos mais tempo para chegar a algum lugar?"

Para quem sonha com uma vida mais lenta, mais barata e com mais propósito, a história de Tye e Chip é um convite irrecusável a repensar o próprio roteiro.