Imagine um oceano tão quente que peixes fogem para o Alasca, algas tóxicas matam centenas de leões-marinhos e aves marinhas morrem de fome. Isso não é ficção científica. É o que está acontecendo agora no Pacífico, e os cientistas estão em alerta máximo.
Desde a segunda metade de 2025, uma onda de calor marinha recorde se espalha por milhares de quilômetros, da Califórnia ao México, e os dados mais recentes indicam que ela pode desencadear um novo e poderoso El Niño. E o pior: há 25% de chance de ser um evento muito forte, com aquecimento de 2°C acima do normal.
O que está pegando fogo (literalmente) no Pacífico?
No dia 9 de setembro de 2025, a parte nordeste do Pacífico registrou a maior temperatura média já medida: 20,6°C. O número ficou quase meio grau acima de qualquer recorde anterior em mais de 100 anos de medições. E não para por aí: o calor não está só na superfície. Pesquisas mostram que ele está armazenado em áreas mais profundas do oceano, o que pode fazer o fenômeno durar muito mais tempo.
Andrew Leising, pesquisador da NOAA, explica que a situação está sendo monitorada de perto, mas os impactos já são visíveis. "A água muito quente está causando mudanças no ecossistema marinho", afirma. E os números são assustadores: 27% dos oceanos do planeta já estão sob onda de calor, e a previsão é que esse número suba para 40% até setembro de 2026.
O "The Blob" voltou, mas mais forte
Você lembra do "The Blob" ("A Bolha"), a onda de calor que devastou o Pacífico entre 2013 e 2016? Pois o fenômeno atual já se aproxima daquele em tamanho e força. Mas há uma diferença crucial: enquanto os episódios anteriores costumavam perder força entre outubro e novembro, desta vez o calor voltou a aumentar depois desse período.
Os efeitos são dramáticos. No outono de 2025, grandes quantidades de atum foram pescadas no Alasca, onde esse peixe não costuma aparecer. Ao mesmo tempo, algas tóxicas explodiram no sul da Califórnia, causando a morte de centenas de leões-marinhos, golfinhos e aves marinhas. Michael Jacox, também da NOAA, reforça: "O cenário atual é incomum e ainda pouco conhecido".
E o Brasil com isso? Prepare-se para extremos
Se o El Niño se confirmar, o Brasil sentirá o impacto de forma direta e intensa. Segundo a MetSul Meteorologia, os padrões são claros:
- Região Sul: Mais chuva que o normal, com risco de temporais, enchentes e eventos extremos.
- Norte e Nordeste: Menos chuva, o que pode provocar seca severa, calor intenso e piorar as queimadas.
E as chances são altas: entre maio e julho de 2026, o El Niño pode se formar com 61% de chance, e seguir pelo menos até o fim do ano. Há ainda 25% de chance de ser um evento muito forte, com aquecimento de 2°C acima do normal na região central do Pacífico.
A pergunta que fica é: estamos preparados para um verão de extremos, com enchentes no Sul e secas no Norte? Os cientistas alertam que o próprio ecossistema marinho está mostrando os rumos dessas mudanças. E o que ele está mostrando, até agora, é preocupante.