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Eram pouco mais de 20h30 de um sábado à noite quando o som da música alta foi subitamente perfurado por batidas surdas e aterrorizantes. Em um átimo, o salão do Hilton Hotel, em Washington, se transformou em um cenário de pânico coletivo.

Eu estava sentado em uma das cerca de 200 mesas quando o caos explodiu. Pessoas começaram a se jogar no chão — primeiro no centro, perto do palco, depois em todos os cantos. Alguém gritou algo como "Tiro!" ou "Estão atirando!".

Instintivamente, me curvei, os olhos fixos no palco. O presidente Donald Trump, que havia chegado minutos antes, foi retirado às pressas. De trás da cortina, agentes fortemente armados surgiram, apontando suas armas para a multidão. Agentes do Serviço Secreto corriam pelo salão, saltando sobre mesas e cadeiras. Vidros quebraram. Políticos de alto escalão foram puxados para a segurança e escoltados para fora.

Parecia filme, mas era real: o alvo era Trump?

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Não era Hollywood. Era o histórico Jantar dos Correspondentes da Casa Branca, com Trump como presidente pela primeira vez, transformado em cena de crime. A pergunta ecoou na minha mente naqueles segundos: "Trump era o alvo?" Não seria a primeira vez. Pensei na violência armada nos EUA — me mudei para cá há apenas 8 meses. Tiroteios acontecem o tempo todo, em todo lugar. Por que não ali, no jantar de Trump? Eu estava abalado, mas não surpreso.

Nenhum sinal de "tudo limpo" foi dado, mas, após alguns minutos, as pessoas lentamente se levantaram. De alguma forma, o evento precisava continuar. Celulares surgiram; filmavam, enviavam mensagens, tentavam entender o que havia acontecido. A única certeza era: ninguém podia deixar o salão.

O alívio e a falha de segurança que ninguém quer discutir

Quando a notícia de que um "atirador" havia sido detido no saguão se espalhou, senti alívio. Duas vezes, um anúncio disse que o jantar seria retomado em breve. Mas não foi. O próprio Trump convidou a imprensa para a Casa Branca para uma coletiva; o jantar havia acabado. Os convidados foram orientados a deixar o hotel.

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Ao sair, refleti sobre as medidas de segurança — ou a falta delas — que me pareceram surpreendentemente frouxas durante toda a noite, dada a presença de Trump, do vice-presidente JD Vance e de vários membros do gabinete.

Horas antes, o trânsito perto do Hilton estava parado. Pulei do táxi a cerca de 500 metros e fui andando. Do lado de fora, manifestantes contra Trump gritavam e insultavam os convidados. Para ter acesso ao hotel, bastava mostrar uma captura de tela do convite ao passar. Apenas quem ia para o salão principal passava por um detector de metais. Sem tirar o paletó. Sem pedir passaporte ou identidade. Uma vez, ativistas conseguiram até chegar ao tapete vermelho para protestar.

Isso é segurança adequada para um evento de tão alto risco? Não ousaria dar um veredito final, mas tenho certeza de uma coisa: isso será debatido. Um porta-voz do Washington Hilton direcionou as perguntas ao Serviço Secreto dos EUA, que disse ter sido a "organização líder de segurança" do evento. Procuramos o Serviço Secreto para comentar, mas ainda aguardamos retorno.

O que aconteceu naquela noite não foi apenas um susto. Foi um alerta sobre como a segurança de figuras públicas pode ser frágil — e como, em um piscar de olhos, um jantar pode se transformar em um pesadelo. O impacto disso na forma como protegemos nossos líderes ainda está por vir.