Entrar
Pesquisa revela que CEOs brasileiros atuam em redes sociais sem suporte formal
Economia e Negócios

Pesquisa revela que CEOs brasileiros atuam em redes sociais sem suporte formal

Estudo mostra que sete em cada dez líderes corporativos usam plataformas digitais sem orientação estratégica definida.

Redação
Redação

8 de janeiro de 2026 ·
Publicidade

Uma pesquisa realizada pela HSM e pela Community Creators Academy, integrantes do Ecossistema Ânima, em parceria com a Michael Page, revela uma contradição na liderança das empresas brasileiras. O estudo "O impacto das redes sociais no posicionamento de CEOs" aponta que, embora a presença digital seja parte consolidada do exercício da liderança, ela ainda opera sem método, políticas claras ou suporte estruturado na maioria dos casos.

O dado mais significativo indica que sete em cada dez CEOs utilizam redes sociais para impulsionar a estratégia corporativa. No entanto, a maioria executa essa atividade de forma independente, publicando, respondendo e construindo narrativas sem orientação formal, assumindo riscos em um ambiente corporativo que, paradoxalmente, valoriza governança e compliance.

Liderança como gestão de sentido

Publicidade

O CEO contemporâneo deixou de ser apenas gestor de negócios para se tornar também gestor de sentido. Sua comunicação não é apenas institucional, mas simbólica, transmitindo cultura, valores e posicionamento da empresa a cada publicação. A pesquisa evidencia que há uma transferência de poder, com parte da reputação da marca migrando dos canais oficiais para a voz direta da liderança, o que humaniza as empresas, mas também expõe fragilidades.

"Líderes foram treinados para decidir, não necessariamente para narrar", contextualiza a pesquisa. O estudo mostra CEOs confiantes, mas pouco preparados para a comunicação estratégica, que exige mais do que intuição, demandando leitura de contexto, domínio de linguagem e compreensão de audiência.

Conteúdo predominantemente institucional e falta de estratégia

Outro ponto sensível identificado é o tipo de conteúdo compartilhado. A predominância de mensagens institucionais revela que muitos líderes ainda tratam as redes como um mural corporativo, quando o ambiente digital recompensa diálogo e presença genuína. As plataformas favorecem quem constrói relação, não apenas quem informa resultados.

O relatório conclui que o maior erro é tratar a presença digital como uma habilidade periférica, quando ela se tornou parte da arquitetura de poder contemporânea. "Liderar hoje implica aparecer — com critério, intenção e responsabilidade", destaca a análise. Ignorar essa dimensão não preserva reputações, mas transfere a narrativa para terceiros.

Exposição de maturidade organizacional

O que a pesquisa expõe, no final, não é um problema de vaidade ou exposição excessiva, mas de maturidade organizacional. As empresas já entenderam que seus líderes precisam estar nas redes sociais. Falta, no entanto, estruturar como, por que e com qual suporte essa presença deve ocorrer. No mundo atual, o CEO se transformou em uma mídia, e mídia sem estratégia cobra seu preço.

O estudo serve como um alerta para que organizações desenvolvam diretrizes claras e ofereçam suporte adequado aos seus principais porta-vozes, alinhando a comunicação pessoal dos líderes com a governança e os objetivos estratégicos corporativos.

Deixe seu Comentário
0 Comentários
🍪

Cookies

Nosso site usa cookies para melhorar a experiência do usuário. Ao usar nossos serviços, vocês concorda com a nossa Política de Cookies.