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Uma pesquisa realizada pela HSM e pela Community Creators Academy, integrantes do Ecossistema Ânima, em parceria com a Michael Page, revela uma contradição na liderança das empresas brasileiras. O estudo "O impacto das redes sociais no posicionamento de CEOs" aponta que, embora a presença digital seja parte consolidada do exercício da liderança, ela ainda opera sem método, políticas claras ou suporte estruturado na maioria dos casos.

O dado mais significativo indica que sete em cada dez CEOs utilizam redes sociais para impulsionar a estratégia corporativa. No entanto, a maioria executa essa atividade de forma independente, publicando, respondendo e construindo narrativas sem orientação formal, assumindo riscos em um ambiente corporativo que, paradoxalmente, valoriza governança e compliance.

Liderança como gestão de sentido

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O CEO contemporâneo deixou de ser apenas gestor de negócios para se tornar também gestor de sentido. Sua comunicação não é apenas institucional, mas simbólica, transmitindo cultura, valores e posicionamento da empresa a cada publicação. A pesquisa evidencia que há uma transferência de poder, com parte da reputação da marca migrando dos canais oficiais para a voz direta da liderança, o que humaniza as empresas, mas também expõe fragilidades.

"Líderes foram treinados para decidir, não necessariamente para narrar", contextualiza a pesquisa. O estudo mostra CEOs confiantes, mas pouco preparados para a comunicação estratégica, que exige mais do que intuição, demandando leitura de contexto, domínio de linguagem e compreensão de audiência.

Conteúdo predominantemente institucional e falta de estratégia

Outro ponto sensível identificado é o tipo de conteúdo compartilhado. A predominância de mensagens institucionais revela que muitos líderes ainda tratam as redes como um mural corporativo, quando o ambiente digital recompensa diálogo e presença genuína. As plataformas favorecem quem constrói relação, não apenas quem informa resultados.

O relatório conclui que o maior erro é tratar a presença digital como uma habilidade periférica, quando ela se tornou parte da arquitetura de poder contemporânea. "Liderar hoje implica aparecer — com critério, intenção e responsabilidade", destaca a análise. Ignorar essa dimensão não preserva reputações, mas transfere a narrativa para terceiros.

Exposição de maturidade organizacional

O que a pesquisa expõe, no final, não é um problema de vaidade ou exposição excessiva, mas de maturidade organizacional. As empresas já entenderam que seus líderes precisam estar nas redes sociais. Falta, no entanto, estruturar como, por que e com qual suporte essa presença deve ocorrer. No mundo atual, o CEO se transformou em uma mídia, e mídia sem estratégia cobra seu preço.

O estudo serve como um alerta para que organizações desenvolvam diretrizes claras e ofereçam suporte adequado aos seus principais porta-vozes, alinhando a comunicação pessoal dos líderes com a governança e os objetivos estratégicos corporativos.