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A Polícia Federal e o Ministério Público do Espírito Santo investigam uma rede criminosa formada por policiais civis do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc). Os agentes são acusados de desviar drogas apreendidas em operações e revendê-las no mercado ilegal, conforme revelado em reportagem do Fantástico exibida no domingo (29).

Três investigadores da Polícia Civil foram afastados por ordem judicial, e um deles, Eduardo Tadeu, foi preso. Tadeu, que atuava há mais de 10 anos no Denarc, é suspeito de liderar o esquema. A investigação apura que o grupo criminoso rival informava aos policiais sobre o transporte de drogas de concorrentes.

Mecanismo do Esquema Criminoso

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Os policiais realizavam abordagens, apreendiam os entorpecentes e desviavam parte da carga. “Essas drogas eram repassadas aos próprios informantes para que revendessem, e eles dividiam os lucros”, afirmou um promotor de justiça. Em um dos depoimentos, um traficante relatou ter comprado 50 quilos de droga de um dos agentes por R$ 49 mil.

“O maior traficante do Espírito Santo é um policial civil”, disse uma das testemunhas ouvidas na investigação. Outros depoimentos indicam que traficantes eram extorquidos pelos policiais e, posteriormente, coagidos a trabalhar para o grupo. Um deles afirmou ter pago cerca de R$ 25 mil para ser liberado após uma abordagem.

Provas e Conexões com Facção Criminosa

Entre as evidências analisadas, há registros que mostram o traficante Yago Sahib, conhecido como “Passarinho” e ligado ao PCC, dirigindo com maços de dinheiro no carro. Ele trocou mensagens com um dos policiais investigados. No mesmo dia, publicou um vídeo sem o dinheiro e enviou a um comparsa a expressão “vai chorar óleo”, gíria usada para crack.

A investigação continua para apurar a extensão total da rede e identificar outros possíveis envolvidos. O caso expõe uma grave falha no sistema de combate ao narcotráfico no estado, onde agentes responsáveis pelo combate às drogas passaram a atuar como seus principais distribuidores.