Você já imaginou atravessar uma ponte novinha, inaugurada há pouco mais de um ano, e de repente sentir o chão sumir debaixo dos seus pés? Foi exatamente o que aconteceu na noite desta sexta-feira (05) em Sena Madureira, no interior do Acre. A Ponte Frei Paolino Baldassari, que custou R$ 36 milhões aos cofres públicos, simplesmente desabou, deixando um rastro de feridos e pânico.
O momento do colapso que chocou a cidade
Imagens de uma câmera de segurança flagraram o instante exato em que a estrutura cedeu. A ponte, que liga os distritos ao centro da cidade sobre o Rio Iaco, estava interditada desde quinta-feira (04) após uma vistoria apontar problemas estruturais. Mesmo assim, a tragédia não pôde ser evitada.
“A gente ouviu um barulho de metal torcendo e, quando olhamos, a ponte já estava caindo. Foi desesperador”, relatou uma testemunha, ainda em choque. O Corpo de Bombeiros e o Samu foram acionados imediatamente para o resgate das vítimas.
Quem são os feridos e o estado de saúde deles?
Quatro pessoas ficaram feridas no desabamento. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), os quadros são distintos, mas duas vítimas estão em estado grave.
Edinaldo Muniz, de 54 anos, sofreu um forte ferimento na cabeça e lesões em órgãos do abdômen. Ele foi transferido para Rio Branco. Já Antônio Morais Lima Filho, de 36 anos, foi considerado em estado gravíssimo e encaminhado para cuidados intensivos. As outras duas vítimas, Ednei Muniz (51) e Weverton Murieta (34), apresentam quadro estável, com fratura e escoriações leves, respectivamente.
Uma obra de R$ 36 milhões que durou pouco mais de um ano
A Ponte Frei Paolino Baldassari foi inaugurada em dezembro de 2023, após mais de dois anos de obras. Com 230 metros de comprimento e duas pistas, ela era considerada um marco para a região, prometendo facilitar o trânsito entre os distritos e o centro de Sena Madureira. Para se ter uma ideia, o valor investido, R$ 36 milhões, é equivalente ao orçamento anual de uma cidade de pequeno porte no estado.
O governo do Acre afirmou, em nota, que “as providências começaram logo após o desabamento” e que “diversos órgãos estaduais atuam juntos na resposta ao acidente”. Participam das ações equipes do Corpo de Bombeiros, Polícias Militar e Civil, Secretaria de Saúde e Deracre.
O que acontece agora com as vítimas e a região?
Além do resgate, o Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) permanece de prontidão para transportar pacientes que precisem de atendimento especializado. Uma ambulância equipada para casos graves foi deslocada para Sena Madureira. A pergunta que fica no ar é: como uma estrutura tão nova pôde falhar de forma tão catastrófica? A resposta, que pode envolver desde falhas de projeto até problemas de manutenção, ainda está por vir. Enquanto isso, a cidade de Sena Madureira amanhece com uma ferida aberta e a sensação de que o progresso, às vezes, tem um preço muito alto.
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