Imagine pagar o valor de um carro popular só para assistir a uma partida de futebol. Parece exagero? Pois saiba que a Copa do Mundo de 2026, que será sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, está se encaminhando para ser a mais lucrativa da história para a FIFA — e a mais dolorosa para o seu bolso.
O jornalista Pete Syme, do Business Insider, investigou a fundo os bastidores da precificação dos ingressos e descobriu um mecanismo que explica por que você, torcedor comum, pode ficar de fora do maior evento esportivo do planeta.
O truque americano que a FIFA importou
O que Syme descobriu é que a FIFA adotou práticas de venda de ingressos típicas da América do Norte, como o preço dinâmico — aquele mesmo que faz o valor do seu ingresso para um show disparar conforme a demanda aumenta. Mas não para por aí. A entidade também criou seu próprio mercado secundário de revenda oficial, onde os preços disparam ainda mais.
Ou seja: a mesma entidade que controla a venda inicial também lucra com a especulação. Resultado: ingressos que já são caros se tornam praticamente inacessíveis para a grande maioria.
Não é só o ingresso: a conta inclui hospedagem e transporte
E a conta não para na entrada do estádio. Para assistir aos jogos, você precisa chegar até as cidades-sede. E aí o cenário é igualmente preocupante. Voos, hotéis e até o transporte público nas cidades americanas estão com preços nas alturas.
Algumas cidades-sede já anunciaram que vão aumentar as tarifas de transporte público nos dias de jogo, transformando cada deslocamento em mais um custo extra. Some tudo: ingresso, passagem aérea, hospedagem, alimentação e locomoção. O resultado é uma experiência que pode custar o equivalente a uma viagem internacional de luxo.
O número que explica tudo: US$ 13 bilhões
Quando você soma todas essas fontes de receita — ingressos, revendas, patrocínios e direitos de transmissão —, a FIFA projeta faturar US$ 13 bilhões de dólares durante o ciclo da Copa de 2026. Para ter uma ideia, esse valor é maior que o PIB de vários países.
O mais chocante é que esse lucro bilionário vem, em grande parte, de um modelo que parece desenhado para extrair o máximo possível do torcedor. É a transformação do futebol em um produto premium, onde o amor pelo esporte se choca com a lógica implacável do mercado.
O que isso significa para você?
Se você está sonhando em assistir a uma Copa do Mundo ao vivo, prepare o bolso. A partir de agora, a experiência de torcer presencialmente pode se tornar um privilégio de poucos. A pergunta que fica é: até onde a FIFA vai levar esse modelo de negócios? E, mais importante, o que sobra para o torcedor que faz o evento existir?
Uma coisa é certa: a Copa de 2026 será inesquecível. Mas, para muitos, o preço para entrar nessa história pode ser alto demais.
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