Protestos no Irã deixam ao menos 38 mortos e mais de 2.200 detidos em onda de manifestações
Violência da repressão inclui tiros contra manifestantes e ataques a hospitais, segundo relatos de ONG e especialistas.
Uma nova onda de protestos contra o regime iraniano, iniciada há pouco mais de uma semana, já resultou em ao menos 38 mortos e mais de 2.200 detidos, segundo a organização de direitos humanos Human Rights Activists in Iran, sediada nos Estados Unidos. Os atos, que começaram motivados pela crise econômica, se espalharam por mais de 90 cidades do país e evoluíram para críticas diretas ao governo e demandas por liberdades sociais.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra o momento em que dois manifestantes são baleados durante os confrontos. A mídia estatal iraniana, por sua vez, relatou a morte de dois manifestantes e um agente de segurança após uma tentativa de invasão a uma delegacia.
Repressão violenta e crise econômica
A repressão às manifestações tem sido marcada por extrema violência. "Eles estão atacando hospitais, prendendo pessoas. Estão atirando nelas intencionalmente – nos olhos. Estão matando pessoas e tentando manter isso em segredo", afirma o cientista político americano-iraniano Saeid Golkar, professor da Universidade do Tennessee em Chattanooga.
Os protestos foram impulsionados por uma grave deterioração econômica. "A moeda iraniana perdeu mais de 50% do seu valor em relação ao dólar. E a inflação chegou a cerca de 52% nos últimos seis meses", explica Golkar. Segundo ele, a situação tornou a sobrevivência diária extremamente difícil para as camadas mais pobres da população, um problema atribuído pelo especialista à má gestão e à corrupção do sistema, além das sanções internacionais.
Maiores protestos desde 2022
Com o avanço dos atos, as reivindicações ultrapassaram as questões econômicas. Os protestos já são considerados os maiores antigoverno desde 2022, quando a morte da jovem Mahsa Amini sob custódia da polícia moral levou milhares às ruas. "Em 2022, as pessoas saíram às ruas em busca de um futuro melhor. Agora, elas estão saindo às ruas porque não conseguem colocar pão e manteiga na mesa. Portanto, estão lutando pela sobrevivência no presente", analisa Golkar.
O cenário, no entanto, segue desfavorável aos manifestantes. "Eles [o povo iraniano] não têm armas, não têm a mídia. E você tem um sistema muito repressivo que tem a intenção de fazer o que for necessário para permanecer no poder", avalia o cientista político.
Posições de líderes internacionais e futuro incerto
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a ameaçar intervir no Irã caso os protestos se tornassem violentos. "Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão duramente punidos pelos EUA", declarou.
Em resposta, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, afirmou: "Nós conversamos com os manifestantes, as autoridades devem conversar com eles. Mas não há benefício em conversar com os manifestantes violentos. Os manifestantes violentos devem ser colocados em seu lugar". Ainda é incerto se os protestos perderão força, como ocorreu em mobilizações anteriores.
*Com informações da DW e da organização Human Rights Activists in Iran.
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