Rio atmosférico provoca chuvas extremas no RS com acumulados superiores a 200 mm
Fenômeno conhecido como "rio voador" canaliza umidade da Amazônia e deve persistir no estado até o início da próxima semana.
Um rio atmosférico atuando sobre o Sul do Brasil tem causado chuvas extremas no Rio Grande do Sul desde o último domingo (20). Em apenas três dias, diversos municípios registraram acumulados pluviométricos superiores a 200 milímetros, resultando em alagamentos, enxurradas e transbordamento de rios, arroios e córregos.
O fenômeno, que transporta grandes quantidades de vapor d’água da região amazônica, está associado a um bloqueio atmosférico e à atuação de um Vórtice Ciclônico em Altos Níveis da Atmosfera (VCAN) sobre o Centro do Brasil. A MetSul Meteorologia vinha alertando de forma reiterada sobre a chuva excessiva.
Volumes extremos em três dias
Dados de estações meteorológicas compilados pela MetSul mostram os acumulados mais críticos entre domingo (20) e terça-feira (23). Em Giruá choveu 245 mm, em São Paulo das Missões 239 mm, em Santo Cristo 238 mm, em Campina das Missões 230 mm, em Porto Xavier 227 mm e em Porto Vera Cruz 204 mm.
Outras cidades também registraram volumes muito elevados, como Garruchos (190 mm), Não-Me-Toque e Ijuí (174 mm), Santo Ângelo (169 mm), Pontão (164 mm) e Panambi (146 mm). Dezenas de municípios tiveram acumulados acima de 100 mm no mesmo período.
O que é um rio atmosférico
Conhecidos como “rios voadores”, os rios atmosféricos são extensas faixas de ar quente e úmido que podem transportar volumes de umidade equivalentes ao fluxo de grandes rios na superfície. Esse transporte concentrado de vapor d’água favorece chuvas persistentes e volumosas quando encontra condições para precipitação.
Previsão e alertas para os próximos dias
Projeções de modelos meteorológicos indicam que o rio atmosférico deve persistir entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina ao menos até o início da próxima semana, com maior intensidade sobre o território gaúcho e possibilidade de fortalecimento no fim de semana.
Com isso, o tempo não deve se firmar no estado até pelo menos domingo (28) ou segunda-feira (29). A previsão indica alternância entre períodos de sol, calor, nebulosidade e novos episódios de chuva localmente forte a intensa.
A manutenção do fenômeno sob uma massa de ar quente aumenta o risco de novos temporais isolados, com rajadas de vento, eventual queda de granizo e volumes elevados em curto espaço de tempo.
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