Rondônia gasta verba federal contra violência feminina, mas mulheres continuam desprotegidas

Rondônia gasta verba federal contra violência feminina, mas mulheres continuam desprotegidas

MPF abre investigação após denúncias de falta de delegacias 24h e orçamento insuficiente no estado.

Redação
Redação

19 de maio de 2026

Você já parou para pensar no que realmente acontece com o dinheiro que o governo federal envia para proteger as mulheres em situação de violência? Em Rondônia, a resposta pode ser chocante: o estado até gasta 100% da verba, mas as mulheres continuam desamparadas e vulneráveis.

Foi exatamente essa denúncia que chegou ao Ministério Público Federal (MPF). Nesta segunda-feira (18), uma investigação foi aberta para fiscalizar a gestão dos recursos públicos destinados às políticas de proteção feminina no estado. E o cenário desenhado pelos especialistas é alarmante.

O diagnóstico que acendeu o alerta vermelho

De acordo com um documento elaborado por representantes do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFam) e entregue ao MPF, Rondônia simplesmente não possui delegacias especializadas no atendimento a mulheres vítimas de violência funcionando 24 horas por dia. Isso significa que, em muitos momentos, a mulher agredida simplesmente não tem para onde correr.

O relatório também aponta que o orçamento destinado ao combate à violência contra a mulher é insuficiente. Mas o mais grave vem a seguir: há registros de representantes políticos ocupando cargos públicos envolvidos em casos de agressão contra mulheres, sem que exista, segundo o documento, compromisso efetivo com a implementação de políticas de proteção feminina.

E não para por aí. O IBDFam destacou a necessidade urgente de capacitação de agentes de diferentes esferas que atuam diretamente no atendimento às vítimas. O objetivo? Evitar a revitimização — aquela dor que a mulher sente quando tem sua privacidade desrespeitada, sua história minimizada e seu sigilo violado pelas próprias instituições que deveriam protegê-la.

O que o MPF vai fazer agora?

O procurador da República Raphael Bevilaqua, responsável pela investigação, deixou claro que não basta olhar para o extrato bancário. “O fato de o estado ‘gastar’ 100% da verba federal não significa que a política é boa. Por isso, é preciso fazer cruzamento de dados entre o que foi gasto e o serviço entregue, bem como outros parâmetros de políticas públicas de atendimento às mulheres”, afirmou no documento de abertura da investigação.

O plano de atuação prevê uma fase de diagnóstico de 90 dias para levantar e cruzar dados orçamentários. Depois, haverá diálogo com entidades da sociedade civil e uma audiência pública. A pergunta que fica é: enquanto isso, quantas mulheres continuarão sofrendo em silêncio?

O caso escancara uma realidade cruel: não adianta ter dinheiro se ele não chega a quem precisa. A investigação do MPF pode ser o primeiro passo para transformar números em proteção real. Mas, para isso, a sociedade precisa ficar de olho.

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