Smartbird: ex-AWS Nadia Carlsten lidera nova empresa de IA da Allbirds sem funcionários
Após vender negócio de calçados por US$ 43 milhões, ex-fabricante levanta US$ 100 milhões e aposta em infraestrutura de IA para nicho de mercado.
A transformação da Allbirds em uma empresa de inteligência artificial (IA) não foi apenas uma jogada de marketing. A fabricante de calçados, conhecida por seu estilo associado ao Vale do Silício, vendeu seu negócio original por US$ 43 milhões, levantou outros US$ 100 milhões no mercado de ações e agora se chama Smartbird. A nova CEO, Nadia Carlsten, ex-executiva da AWS com doutorado em engenharia, começou no cargo nesta semana sem uma equipe formada.
"Vamos recrutar uma equipe totalmente nova para o negócio de IA e vamos conseguir um escritório", disse Carlsten ao TechCrunch, de Amsterdã. "O negócio de calçados foi oficialmente encerrado ontem, então está tudo resolvido. A primeira tarefa que estou enfrentando agora é montar a equipe de liderança, procurando alguém para liderar operações de infraestrutura, por exemplo."
O que a Smartbird pretende fazer
A Smartbird se posiciona como uma provedora de infraestrutura de IA, mirando na demanda aparentemente infinita por poder computacional para treinar e executar modelos de aprendizado profundo. Diferente das "neoclouds", que arbitram o preço dos chips, a empresa de Carlsten focará em implantações mais gerenciadas. O cliente ideal precisa de controle direto sobre os servidores — por razões políticas ou de modelo de negócios — e valoriza a soberania de dados mais do que a escalabilidade da nuvem pública.
Carlsten ainda não conseguiu estimar o tamanho desse mercado, argumentando que ele é bastante incipiente, já que muitas empresas ainda estão testando ferramentas de IA. Na DCAI, empresa europeia de computação que liderou anteriormente, ela trabalhou com a Novo Nordisk e outras empresas europeias com interesse especial em soberania de dados ou modelos personalizados. "Certamente temos qualquer pessoa na indústria farmacêutica, energia, finanças, setor público", afirmou.
Concorrência e modelo de negócios
Na visão de Carlsten, a Smartbird não compete com hyperscalers ou neoclouds, mas com projetos internos de empresas. Ainda assim, há concorrentes estabelecidos, como a Hewlett Packard e a Equinix, que oferecem serviços de computação de IA gerenciados e de locatário único.
É um modelo de negócios real, mas não está claro se tem o mesmo potencial de crescimento dos serviços em nuvem. Carlsten disse esperar ter clusters de computação implantados para vários clientes até o final do ano. Outras startups, como a General Compute, têm ambições maiores — a empresa anunciou um pedido de chips de US$ 300 bilhões ao sair do modo furtivo no mês passado.
Carlsten afirma que não precisa de grandes compromissos com chips para realizar a visão da Smartbird, pois as necessidades de seus clientes potenciais estão na faixa de centenas a milhares de chips. "Não se trata de grandes escalas e números enormes de GPUs, mas sim da agilidade desses clusters e do controle da pilha de infraestrutura", explicou.
Mudança de status e remuneração
Quando a Allbirds fez a transição, um dos aspectos deixados de lado foi seu status de Public Benefit Corporation (PBC), que visava consagrar os compromissos de sustentabilidade da empresa de calçados. Essa mudança de direção sugere que os PBCs não são garantias rígidas.
Carlsten receberá um salário anual de US$ 700 mil e ações avaliadas em cerca de US$ 9 milhões para assumir o cargo. Ela afirmou que o conselho da Smartbird fez um compromisso de longo prazo para executar sua estratégia de IA.
"Existem algumas empresas por aí perseguindo IA", disse Carlsten ao TechCrunch, "mas, no final das contas, o que importa é se há peso real por trás dessa perseguição."
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