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A Halter, uma startup de tecnologia agrícola da Nova Zelândia, fechou um investimento de US$ 220 milhões em uma rodada Série E, elevando seu valor de mercado para US$ 2 bilhões. A rodada foi liderada pelo Founders Fund, conhecido por investir em empresas inovadoras como Facebook e SpaceX. A empresa desenvolve um sistema que utiliza coleiras solares inteligentes para gerenciar rebanhos bovinos de forma remota, substituindo métodos tradicionais como cães, cavalos e cercas físicas.

Fundada por Craig Piggott, de 30 anos, a Halter opera há nove anos. O sistema combina uma coleira movida a energia solar, uma rede de torres de baixa frequência e um aplicativo de smartphone. A tecnologia permite que fazendeiros criem cercas virtuais, monitorem a saúde de cada animal 24 horas por dia e movimentem rebanhos inteiros sem sair da sede da fazenda. O gado é treinado para responder a sinais de áudio e vibração emitidos pela coleira.

Impacto na produtividade e expansão global

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Segundo Craig Piggott, a solução pode aumentar a produtividade da terra em até 20%, permitindo um pastejo mais eficiente. "Em alguns casos, vemos clientes literalmente dobrando a produção de suas terras", afirmou o CEO em entrevista. A empresa já equipou mais de 1 milhão de cabeças de gado em mais de 2.000 fazendas na Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos, onde atua em 22 estados.

Além do controle de pastagem, as coleiras coletam dados comportamentais que permitem monitorar a saúde e os ciclos de fertilidade dos animais, identificando precocemente possíveis doenças. A Halter está na quinta geração de seu hardware e testa um produto focado em reprodução com clientes nos EUA.

Mercado bilionário e concorrência

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O mercado potencial é vasto: a Halter tem menos de 10% de penetração em seu mercado doméstico na Nova Zelândia, enquanto existem cerca de 1 bilhão de cabeças de gado no mundo. A gigante farmacêutica Merck já possui seu próprio sistema de cerca virtual, chamado Vence, e outras startups, como a Grazemate, apresentaram soluções usando drones autônomos para o manejo de rebanhos.

Piggott minimiza a concorrência, argumentando que o maior desafio não é a tecnologia rival, mas a resistência à mudança. "A maior competição é simplesmente não mudar nada. É fazer o que você fez no ano passado", disse. Ele destaca que a confiabilidade do sistema, que precisa operar com "muitos noves" de disponibilidade, é uma barreira técnica significativa que a empresa levou anos para superar.

Trajetória do fundador e próximos passos

Craig Piggott cresceu em uma fazenda leiteira na Nova Zelândia, estudou engenharia e teve uma breve passagem pela Rocket Lab antes de fundar a Halter aos 21 anos. A empresa já levantou aproximadamente US$ 400 milhões no total e planeja expandir suas operações para a América do Sul e Europa, além de consolidar sua presença nos Estados Unidos.

Diferente de muitas empresas de tecnologia, a Halter não vê os EUA como seu mercado central. "O mercado americano é importante para nós, mas não é o maior do mundo. A agricultura está espalhada pelo globo, e precisamos chegar lá também", concluiu Piggott.