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Uma nova métrica chamada "tokenmaxxing" está gerando intenso debate no Vale do Silício sobre como medir a produtividade de engenheiros que utilizam ferramentas de inteligência artificial. O termo se refere à prática de maximizar o consumo de tokens - unidades computacionais que determinam o preço do trabalho com IA - como forma de demonstrar engajamento e produtividade.

Segundo reportagem do The Information, alguns engenheiros da Meta estão competindo para gastar mais tokens e aparecer em um painel interno chamado "Claudeonomics", que rastreia o uso e concede títulos como "Token Legend". A empresa não respondeu a pedidos de comentário da Business Insider sobre a prática.

O que são tokens e como funcionam

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Tokens são unidades básicas que os modelos de linguagem grande (LLMs) usam para processar texto, sendo que cada token corresponde a aproximadamente ¾ de uma palavra. As empresas de IA cobram com base no número de tokens utilizados, tornando essa métrica um indicador direto de consumo de recursos computacionais.

Empresas como Meta e OpenAI mantêm leaderboards internos de tokens, conforme reportado anteriormente pelo The New York Times, incentivando implicitamente a competição entre desenvolvedores pelo maior consumo dessas unidades.

Divisão na comunidade técnica

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A prática divide especialistas do setor. De um lado, defensores como Garry Tan, CEO da Y Combinator, afirmam que "estamos tokenmaxxando há mais tempo que a maioria das pessoas", defendendo o uso generoso de tokens. Do outro, críticos como Cristina Cordova, COO da Linear, comparam a métrica a "classificar minha equipe de marketing por quem gastou mais dinheiro".

Jon Chu, sócio da Khosla Ventures, foi mais contundente: "É uma política absolutamente estúpida". Ele relatou que amigos na Meta contaram sobre bots sendo criados especificamente para queimar tokens o mais rápido possível, distorcendo completamente a métrica.

Crescimento exponencial dos gastos

Dados da Gartner citados pela fintech Ramp mostram que o gasto mensal com IA entre empresas quadruplicou no último ano, sendo descrito como um "ponto cego de US$ 1 trilhão". A tendência se reflete nas redes sociais, onde engenheiros exibem seus gastos com tokens como sinal de comprometimento com a tecnologia.

Edwin Wee Arbus, funcionário da Cursor, ofereceu uma análise mais matizada, comparando a métrica ao Índice de Massa Corporal (IMC): "Um proxy útil e rápido, mas levemente falho". Já Gergely Orosz, autor do boletim "The Pragmatic Engineer", chamou a prática de "desperdício", argumentando que "desenvolvedores manipulam qualquer métrica vista como alvo para bônus ou promoções".

Visão dos líderes da indústria

Jensen Huang, CEO da Nvidia, embora não tenha comentado especificamente sobre "tokenmaxxing", destacou a importância do uso intensivo de tokens, afirmando que ficaria "profundamente alarmado" se um engenheiro de US$ 500.000 não consumisse pelo menos US$ 250.000 em tokens.

Arush Shankar, engenheiro de software da Persona com passagem por Square e Microsoft, resumiu: "O gasto com tokens é sempre uma saída, não uma entrada. Vale a pena observar, mas nunca isoladamente. É um sinal, mas não O sinal".