Tripulantes da Artemis II retornam à Terra após missão histórica ao lado oculto da Lua
Cápsula Orion deve pousar no Pacífico após viagem que testou sistemas para futuras missões lunares tripuladas.
Os quatro astronautas da missão Artemis II da NASA estão programados para retornar à Terra nesta sexta-feira, após uma jornada histórica de 10 dias ao redor da Lua. A cápsula Orion, com os tripulantes Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, deve iniciar a reentrada na atmosfera terrestre às 19h33 (horário de Brasília) e realizar um pouso por amerissagem no Oceano Pacífico às 20h07, próximo à costa de San Diego, na Califórnia.
Esta é a primeira missão tripulada à órbita lunar em mais de 50 anos, desde o programa Apollo. A tripulação atingiu uma distância recorde da Terra, chegando a aproximadamente 406.700 quilômetros do planeta, o equivalente a viajar entre Nova York e Los Angeles cerca de 100 vezes. O objetivo principal da missão foi testar os sistemas da nave Orion com uma tripulação no espaço profundo, coletando dados cruciais para o planejamento do pouso lunar da Artemis III.
Momento crítico da reentrada
O pouso é considerado um dos momentos mais perigosos da missão. Na Artemis I, um voo não tripulado em 2022, o escudo térmico da Orion, feito do material AVCOAT, sofreu danos inesperados, apresentando rachaduras e carbonização durante a reentrada. A NASA afirmou que, mesmo com o problema, uma tripulação teria sobrevivido, mas conduziu extensas investigações sobre a causa. O escudo é projetado para proteger a cápsula de temperaturas próximas a 2.760 graus Celsius ao atravessar a atmosfera.
"Estamos confiantes nos ajustes feitos, mas a integridade do escudo térmico permanece nossa principal preocupação neste retorno", declarou um porta-voz da agência espacial americana.
Missão cumpre objetivos e registra feitos únicos
Durante a viagem, iniciada em 1º de abril, os astronautas realizaram testes planejados de comunicação, ajustes de trajetória e avaliação dos sistemas de suporte à vida. Apesar de problemas menores, como falhas no Microsoft Office e no banheiro da cápsula, a missão foi marcada por conquistas científicas e simbólicas.
A tripulação nomeou novas crateras lunares, incluindo uma em homenagem à falecida esposa do comandante Wiseman, Carroll, que morreu de câncer em 2020. Eles também testemunharam um eclipse solar total a poucos milhares de quilômetros da Lua, uma perspectiva inédita para a humanidade.
"Não foi apenas um eclipse com o Sol escondido atrás da Lua", explicou a especialista de missão Christina Koch. "Pudemos ver também o 'earthshine', a luz do Sol refletida na Terra, envolvendo a Lua em um brilho suave e emprestado."
Próximos passos do programa Artemis
O sucesso da Artemis II é um marco fundamental para o programa Artemis, que visa estabelecer uma presença humana sustentável na Lua e servir como trampolim para uma futura missão a Marte. Os dados coletados serão analisados para validar a segurança e a performance da Orion para a Artemis III, missão que pretende levar a primeira mulher e a primeira pessoa não branca à superfície lunar, possivelmente até o final desta década.
A NASA transmite ao vivo a cobertura do retorno da tripulação, que será resgatada por equipes da Marinha dos EUA no Pacífico.
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