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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou atacar usinas de energia e pontes do Irã caso o país não reabra o estreito de Ormuz, via marítima bloqueada que é crucial para o comércio global de petróleo. Em uma publicação na rede Truth Social neste domingo (05), Trump usou palavrões para exigir a liberação da passagem e deu um prazo de 48 horas, que expira na segunda-feira (06).

“Terça-feira será o Dia da Usina Elétrica e o Dia da Ponte, tudo de uma vez, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram a p... do Estreito, seus bastardos loucos, ou vocês viverão num verdadeiro inferno - Fiquem atentos!”, escreveu o mandatário. A postagem reitera um ultimato feito no sábado, quando Trump afirmou que o Irã tinha dois dias para reabrir completamente o estreito.

Impacto global e reações

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O bloqueio do estreito de Ormuz, por onde trafegam 20% do petróleo produzido no mundo, tem pressionado os preços de combustíveis e ameaçado cadeias de produtos globais. Na Ásia, algumas nações adotaram medidas como transporte público gratuito e feriados extras para reduzir o consumo. Especialistas militares avaliam que os EUA subestimaram a capacidade iraniana de fechar a via como retaliação à guerra iniciada por Washington e Israel.

Analistas interpretam a linguagem de Trump como sinal de frustração. “A mensagem de Trump — 'Abram a p... do estreito' — provavelmente busca intimidar os iranianos, mas também revela frustração e desespero. Não é o tipo de linguagem de quem tem a situação sob controle”, escreveu o cientista político Oliver Stuenkel na rede X.

Risco de escalada e consequências humanitárias

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Um ataque às usinas do Irã, conforme ameaçado, pode causar um colapso elétrico no país, afetando sistemas de resfriamento, aquecimento, abastecimento de água, bancos e indústrias. O Irã, por sua vez, ameaçou retaliar atacando usinas de dessalinização no Golfo, o que colocaria em risco o fornecimento de água para milhões de pessoas na região.

“Se Trump intensificar o conflito, o Irã responderá, e os danos à economia global poderão ser sem precedentes, muito além do aumento dos preços do petróleo”, afirmou o analista Dennis Citrinowicz, do Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel. A destruição de infraestrutura civil, como usinas, pode configurar crime de guerra segundo o direito internacional humanitário.

Contexto do conflito

O estreito foi bloqueado pelo Irã logo após o início da guerra lançada por Estados Unidos e Israel. Desde então, Teerã só permite a passagem de navios de "países amigos", supostamente mediante pagamento. Inicialmente, os objetivos de guerra dos EUA incluíam degradar a capacidade militar e nuclear iraniana, mas o foco agora se deslocou para a liberação de Ormuz.

Israel, aliado dos EUA, estaria aguardando sinal verde da Casa Branca para iniciar seus próprios bombardeios contra alvos energéticos iranianos, segundo relatos da imprensa americana. A situação coloca em risco uma escalada militar com consequências humanitárias e econômicas imprevisíveis.