O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira um acordo de cessar-fogo de duas semanas com o Irã, estendendo as negociações para encerrar a guerra se o país concordar em reabrir o Estreito de Hormuz. O acordo de última hora foi fechado pouco antes do prazo das 20h (horário do leste dos EUA) que Trump havia estabelecido na manhã de terça, quando ameaçou que "toda uma civilização morrerá esta noite, nunca mais será trazida de volta" se o governo iraniano não abrisse o estreito.
O Estreito de Hormuz é uma via marítima crucial entre o Irã e Omã, por onde passa uma parcela significativa do petróleo e gás do mundo. O anúncio ocorre após um mês de guerra que produziu o maior choque de oferta da história no mercado global de petróleo, fazendo os preços dos combustíveis dispararem.
Análises apontam para cenário de incerteza
Especialistas em política externa e mercados de energia reagiram ao acordo com cautela. Charles Bishop, chefe de pesquisa de política global da Signum Global Advisors, escreveu em nota de pesquisa que "nossa base de cenário permanece, por enquanto, que o presidente Trump provavelmente está ganhando tempo antes de uma ofensiva maior, em vez de 'genuinamente' concordar em terminar a guerra nos termos do Irã".
Bishop argumenta que é mais provável que Trump estivesse buscando desescalar o conflito e acalmar os mercados, e não que tenha se tornado subitamente "confortável" com a ideia de o Irã ter poder de veto de longo prazo sobre o Estreito de Hormuz. "Se isso se provará verdade determinará se hoje marca o início do fim da guerra, ou um mero atraso em uma escalada futura", escreveu o analista.
Impacto imediato nos preços da energia
No mercado de combustíveis, Patrick De Haan, chefe de análise de petróleo da GasBuddy, projetou em uma publicação no Bluesky que, com base nos mercados atuais, "os preços da gasolina poderiam começar a cair nacionalmente em 48 horas ou mais - alguns centavos a cada dia".
"Os preços do diesel podem atrasar um pouco - mas da forma como as coisas estão agora, o diesel NÃO deve mais atingir um recorde", escreveu De Haan. "A média nacional da gasolina pode cair abaixo de US$ 4 em ~1-2 semanas, diesel >US$ 5 em 6-8 semanas." Ele alertou, no entanto, que os "próximos dias verão volatilidade enquanto EUA/Irã e outras partes negociam".
Condição crítica para o sucesso do cessar-fogo
Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA que renunciou ao cargo em março por se opor à guerra com o Irã, falou em um vídeo no X na terça-feira à noite. Ele afirmou que, para o cessar-fogo ser eficaz, é "absolutamente crítico" que os EUA removam seu apoio militar ofensivo a Israel para evitar que a nação continue a atacar o Irã e viole os termos do acordo.
Kent disse que os EUA estão "à beira" de poder consertar a crise de oferta de energia causada pela guerra. No entanto, ele alertou que é crucial ter em mente que o objetivo estratégico de Israel de derrubar o governo iraniano "trabalha contra" as tentativas do governo americano de intermediar a paz. "Temos que entender que não há solução militar para o conflito agora", disse Kent, acrescentando que a ação militar dos EUA até agora desestabilizou a região, fortaleceu o governo iraniano e ameaçou o fornecimento de energia.
O Irã sinalizou passagem segura pelo Estreito de Hormuz por duas semanas. No momento do anúncio, os preços do petróleo caíam significativamente, o que pode levar os aumentos nos preços da gasolina a desaparecerem nas próximas 48 horas antes que as quedas comecem, segundo análise de De Haan.