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O governo dos Estados Unidos autorizou a entrada de um navio petroleiro russo em águas cubanas nesta segunda-feira (30/3), permitindo o primeiro carregamento de combustível à ilha em quase três meses. A decisão do presidente Donald Trump reverte ameaças anteriores de sanções e visa evitar um confronto militar direto com a Rússia, segundo informações do jornal The New York Times.

O petroleiro Anatoly Kolodkin, que está sob sanções internacionais, descarregou 730 mil barris de petróleo bruto no porto de Matanzas. Cuba enfrentava uma crise energética aguda desde que os EUA suspenderam as importações de petróleo venezuelano para a ilha, após a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro.

Contexto da crise e mudança de postura

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Em declaração no domingo, Trump afirmou não ter problemas com o envio de petróleo russo a Cuba. "Se um país quer mandar um pouco de petróleo para Cuba agora, não tenho nenhum problema se é a Rússia [...] e se outros países quiserem fazê-lo", disse o presidente americano. Dias antes, ele havia declarado que Cuba seria a "próxima" após os eventos na Venezuela.

A mudança ocorreu após a Guarda Costeira americana recomendar a autorização para prevenir um "eventual confronto armado" com forças russas. A Rússia havia levantado formalmente a questão durante contatos diplomáticos com os EUA.

Dependência histórica e situação desesperadora

Cuba tornou-se dependente de petróleo estrangeiro após a revolução comunista de 1959, contando principalmente com a antiga União Soviética e, mais recentemente, com a Venezuela. Em 2025, a ilha importava uma média de 37 mil barris por dia, principalmente do México e da Venezuela.

O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, confirmou que este é o primeiro petroleiro a atracar no país em três meses. Em 2026, antes deste carregamento, Cuba havia recebido apenas 84,9 mil barris do México, em 9 de janeiro.

A crise energética resultou em apagões recorrentes, afetando usinas de energia e o transporte. Autoridades de saúde alertaram que a situação aumentou o risco de mortalidade para pacientes com câncer, especialmente crianças.

Reações e próximos passos

O Kremlin reafirmou seu apoio a Cuba. "Na situação desesperadora em que os cubanos se encontram agora, isso, é claro, não pode nos deixar indiferentes, então continuaremos a trabalhar nisso", afirmou Dmitry Peskov, porta-voz do governo russo.

Dados de rastreamento da LSEG mostram que o Anatoly Kolodkin partiu do porto russo de Primorsk, no mar Báltico, em 8 de março. Apesar da autorização pontual, Trump manteve sua retórica crítica ao regime cubano, classificando sua liderança como "muito ruim e corrupta".

O desfecho imediato alivia a pressão humanitária em Cuba, mas não altera as sanções econômicas mais amplas dos EUA contra a ilha. A possibilidade de novos envios russos permanece como uma variável nas tensões geopolíticas envolvendo Washington, Moscou e Havana.