Autoridades ucranianas emitiram um alerta nesta semana sobre casos em que forças russas estão coagindo familiares de prisioneiros de guerra a registrar terminais Starlink em nome deles. A prática visa burlar o bloqueio total do serviço de internet via satélite da SpaceX em território ucraniano, implementado no inÃcio deste mês após um acordo entre o Ministério da Defesa da Ucrânia e a empresa de Elon Musk.
O Quartel-General de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra divulgou um comunicado na terça-feira afirmando ter conhecimento de "múltiplas instâncias" de ameaças contra famÃlias de ucranianos capturados. "Buscando uma saÃda para a difÃcil situação em que se encontram, os ocupantes voltaram sua atenção para as famÃlias dos prisioneiros", diz o texto oficial.
Bloqueio gerou mercado clandestino
O bloqueio do Starlink para a Rússia foi uma medida para fechar uma brecha do mercado negro que as tropas invasoras vinham explorando. Em conformidade com as sanções dos EUA, a SpaceX não faz negócios com a Rússia, mas a Ucrânia repetidamente afirmou que soldados russos obtinham terminais e os usavam para guiar drones de ataque e reconhecimento.
Para manter o acesso ao Starlink, tropas, civis e empresas ucranianas agora precisam registrar cada terminal individualmente em uma "lista branca", online ou em centros municipais. Segundo o analista de drones e conselheiro do Ministério da Defesa da Ucrânia, Serhii "Flash" Beskrestnov, os russos chegam a oferecer até US$ 230 (cerca de R$ 1.150) pelo registro de um único terminal – valor equivalente a um terço do salário médio mensal no paÃs.
Registro gera rastro criminal
As autoridades ucranianas alertam que podem rastrear o registro de terminais posteriormente usados por forças russas, pois o cadastro requer um documento de identidade. "Se o terminal for usado para controlar drones que destroem infraestrutura e tiram vidas, o fato de o terminal ser registrado por um cidadão da Ucrânia é motivo para processo criminal", afirmou o Quartel-General de Coordenação.
Em um comunicado no Telegram no domingo, Beskrestnov escreveu: "Para o inimigo, o Starlink é tão importante que eles implantaram toda uma rede para procurar traidores que estão prontos para registrar o Starlink para si no Serviço Administrativo Central".
Impacto operacional nas tropas russas
A interrupção do serviço tem sido significativa o suficiente para que blogueiros militares pró-Rússia relatem que a maioria das unidades russas agora carece de acesso à internet. Alguns chegaram a culpar Moscou pelo que chamaram de dependência de tecnologia ocidental, mesmo com os EUA e a Europa apoiando explicitamente a Ucrânia.
"Está prestes a ficar claro de repente que as unidades não podem operar efetivamente sem comunicações. Isso será novidade para alguns em altos cargos", escreveu um blogueiro sob o pseudônimo "Belarusian Silovik". A Rússia não é conhecida por ter um serviço de internet via satélite que se compare ao Starlink em termos de velocidade, disponibilidade e estabilidade.
Negar o acesso russo ao Starlink tem sido uma prioridade para o novo ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, que já defendia tais medidas quando servia como ministro da Transformação Digital. A medida atual busca cortar uma linha vital de comunicação e inteligência que as forças invasoras vinham utilizando ilegalmente.