Ucrânia alerta que russos ameaçam famílias de prisioneiros para registrar terminais Starlink
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Ucrânia alerta que russos ameaçam famílias de prisioneiros para registrar terminais Starlink

Oficiais ucranianos denunciam que ocupantes oferecem dinheiro e fazem ameaças para burlar bloqueio do serviço de internet via satélite.

Redação
Redação

11 de fevereiro de 2026

Autoridades ucranianas emitiram um alerta nesta semana sobre casos em que forças russas estão coagindo familiares de prisioneiros de guerra a registrar terminais Starlink em nome deles. A prática visa burlar o bloqueio total do serviço de internet via satélite da SpaceX em território ucraniano, implementado no início deste mês após um acordo entre o Ministério da Defesa da Ucrânia e a empresa de Elon Musk.

O Quartel-General de Coordenação para o Tratamento de Prisioneiros de Guerra divulgou um comunicado na terça-feira afirmando ter conhecimento de "múltiplas instâncias" de ameaças contra famílias de ucranianos capturados. "Buscando uma saída para a difícil situação em que se encontram, os ocupantes voltaram sua atenção para as famílias dos prisioneiros", diz o texto oficial.

Bloqueio gerou mercado clandestino

O bloqueio do Starlink para a Rússia foi uma medida para fechar uma brecha do mercado negro que as tropas invasoras vinham explorando. Em conformidade com as sanções dos EUA, a SpaceX não faz negócios com a Rússia, mas a Ucrânia repetidamente afirmou que soldados russos obtinham terminais e os usavam para guiar drones de ataque e reconhecimento.

Para manter o acesso ao Starlink, tropas, civis e empresas ucranianas agora precisam registrar cada terminal individualmente em uma "lista branca", online ou em centros municipais. Segundo o analista de drones e conselheiro do Ministério da Defesa da Ucrânia, Serhii "Flash" Beskrestnov, os russos chegam a oferecer até US$ 230 (cerca de R$ 1.150) pelo registro de um único terminal – valor equivalente a um terço do salário médio mensal no país.

Registro gera rastro criminal

As autoridades ucranianas alertam que podem rastrear o registro de terminais posteriormente usados por forças russas, pois o cadastro requer um documento de identidade. "Se o terminal for usado para controlar drones que destroem infraestrutura e tiram vidas, o fato de o terminal ser registrado por um cidadão da Ucrânia é motivo para processo criminal", afirmou o Quartel-General de Coordenação.

Em um comunicado no Telegram no domingo, Beskrestnov escreveu: "Para o inimigo, o Starlink é tão importante que eles implantaram toda uma rede para procurar traidores que estão prontos para registrar o Starlink para si no Serviço Administrativo Central".

Impacto operacional nas tropas russas

A interrupção do serviço tem sido significativa o suficiente para que blogueiros militares pró-Rússia relatem que a maioria das unidades russas agora carece de acesso à internet. Alguns chegaram a culpar Moscou pelo que chamaram de dependência de tecnologia ocidental, mesmo com os EUA e a Europa apoiando explicitamente a Ucrânia.

"Está prestes a ficar claro de repente que as unidades não podem operar efetivamente sem comunicações. Isso será novidade para alguns em altos cargos", escreveu um blogueiro sob o pseudônimo "Belarusian Silovik". A Rússia não é conhecida por ter um serviço de internet via satélite que se compare ao Starlink em termos de velocidade, disponibilidade e estabilidade.

Negar o acesso russo ao Starlink tem sido uma prioridade para o novo ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, que já defendia tais medidas quando servia como ministro da Transformação Digital. A medida atual busca cortar uma linha vital de comunicação e inteligência que as forças invasoras vinham utilizando ilegalmente.

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